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Neurodiversidade: uma palavra para todos

Por Diário de Goiânia · · 2 min de leitura

O termo neurodiversidade pode soar estranho para alguns, mas carrega a expectativa de uma sociedade mais justa para pessoas autistas e com condições como TDAH, dislexia, discalculia, dispraxia e transtorno de aprendizagem não verbal.

A história registra que a palavra foi sistematizada no final dos anos 1990 pela socióloga australiana Judy Singer. Em entrevistas, ela falou sobre a mãe, uma sobrevivente do Holocausto que se mudou de Budapeste para Brisbane, na Austrália. Segundo Singer, a mãe parecia preguiçosa, não conseguia trabalhar e não se encaixava socialmente no novo país.

Após o nascimento da filha, que também apresentava características fora do padrão, Singer compreendeu que estava diante de três gerações de mulheres dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA): a mãe, ela mesma e a filha. Com a palavra neurodiversidade, Singer queria nomear um movimento social para minorias neurológicas, inspirado em outros movimentos sociais de afirmação de direitos.

Hoje, a neurodiversidade é um movimento global que defende que não existe uma forma correta de ser e, portanto, não há o que ser consertado. O movimento busca ver a diferença como potência humana, em vez de déficit. Isso representa uma mudança, já que há 60 anos pessoas autistas de maior suporte não estariam na escola regular ou em espaços públicos, mas possivelmente trancadas em hospitais psiquiátricos.

No Dia do Orgulho Autista, celebrado em 18 de junho, voltam à pauta do STF duas ações que questionam trechos da reforma tributária. As ações tratam da exclusão de pessoas autistas de menor suporte do acesso a isenções para compra de carros novos.

Uma leitora provocou a reflexão de que uma pessoa autista pode transitar pelo espectro ao longo da vida, dependendo das intervenções que recebe e dos obstáculos enfrentados. O espectro não é uma linha reta que vai do menor ao maior suporte, mas sim um gráfico radar, em que a pessoa pode ter mais ou menos destreza em áreas como comunicação, interação social e processamento sensorial.

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