quinta-feira, 25 de junho de 2026Noticias em tempo real
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Lula usa desculpas esfarrapadas em crise

Por Diário de Goiânia · · 3 min de leitura

Um líder do governo no Senado estar envolvido em um escândalo de corrupção, como o senador petista Jaques Wagner no caso Master, já seria um grande problema para um governante que busca a reeleição pela quarta vez à Presidência da República. Em uma situação normal, ele seria demitido imediatamente para livrar o presidente, no caso Lula, de problemas eleitorais na campanha. Jaques Wagner, no entanto, não é um senador qualquer. Ele tem história no PT e na luta sindicalista com Lula. Os dois são amigos há 50 anos.

Essa circunstância piora a situação de Lula, pois ele não tem condições emocionais para demitir o amigo, e o amigo não quer ajudá-lo a se safar dessa situação. Wagner quer se safar e, por isso, se abraça ao presidente como um afogado. Geralmente, essa atitude provocaria a morte, mesmo que eleitoral, dos dois. A reeleição de Jaques Wagner para o Senado na Bahia já está ameaçada pelo escândalo. A de Lula, nem tanto, mas é preciso aguardar as próximas pesquisas eleitorais para ver o tamanho do estrago.

Wagner acreditava que o melhor para seu projeto pessoal seria permanecer no cargo, o que obrigou Lula a agir. A desistência de continuar no cargo foi arrancada a fórceps, com muitos trabalhando para convencê-lo a facilitar a vida do presidente. Ao fazer isso, ele complicou sua própria situação, que continua delicada, especialmente considerando as circunstâncias pessoais que envolvem os dois. Politicamente, a solução encontrada era a mais simples: Wagner deveria se afastar e se defender fora do governo.

Ele, no entanto, parecia não muito incomodado com sua posição. Chegou a se comparar a Lula, que já enfrentou situações mais graves, incluindo a prisão, e ainda assim é presidente, como ressaltou na primeira declaração depois da ação da Polícia Federal. Essa comparação foi infeliz para Lula, pois o leva a uma conexão com o caso Master. Levanta suspeitas sobre sua participação desde o início, como acusa a oposição, especialmente quando solicitou a contratação do ex-ministro Guido Mantega pelo Master.

A reunião de Lula com Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto, fora da agenda oficial, ao lado do futuro presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, que ele mesmo nomeou, foi interpretada como sinal verde de apoio. Pelo menos foi o que Vorcaro entendeu. Ele saiu do encontro com Lula satisfeito, segundo relatou à namorada na ocasião, com a sensação de que tudo seria resolvido a contento. Lula disse ter apenas garantido a ele que a questão de seu banco seria tratada pelo BC “dentro da lei”, sem viés político.

A notória boa vontade presidencial em recebê-lo deu ao banqueiro a impressão de que o assunto estava bem encaminhado. Dessa forma, fica mais difícil para o governo do PT explorar mais profundamente a ligação de Flávio com Vorcaro. A favor do PT, está o fato de Flávio não apresentar um único documento comprovando que os recursos recebidos de Vorcaro foram destinados ao filme. Nos dois casos, os senadores envolvidos não são capazes de mostrar um documento que comprove suas alegações. Flávio não prova que o dinheiro não foi usado com outros fins, como sustentar o irmão Eduardo, que vive nos Estados Unidos. Wagner não tem como explicar o apartamento que seu amigo Guga, sócio de Vorcaro, comprou a pedido dele para sua filha. As demais explicações, embora esdrúxulas, servem para uma defesa frágil. Quanto ao apartamento, não há quem acredite na história do empréstimo para pagar depois.

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