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Japão: a alegria educada da seleção

Por Diário de Goiânia · · 2 min de leitura

Japoneses andando no entorno do Estádio de Dallas. Leonardo Oliveira / Zero Hora

Há um Japão aqui em Dallas. Um seria exagero, porque seriam 123 milhões de habitantes. Mas há um bocado deles se movendo pelas ruas de concreto, bem cuidadas e quentes de Dallas. Sempre em grupos, sempre em silêncio e sempre com um sorriso e um ar cordial.

Os japoneses se exaltam no silêncio, se agitam sem gestual e sorriem para tudo. Dos mais velhos aos mais pequeninos. Nunca recusam uma conversa e devolvem sempre um cumprimento.

Quando escutam que sou do Brasil, o sorriso ilumina uma ilha inteira. Quando pergunto o que achavam de pegar o Brasil na segunda fase da Copa, a reação era sempre a mesma: "Brasil? Óóóóóóó."

Nesta quinta-feira (25) nublada aqui de Dallas, para alívio de quem precisa andar sob o sol de 35ºC da época, os japoneses eram 70% das pessoas que circulavam no entorno do AT&T Stadium, a casa do Dallas Cowboys.

Esperaram paciente numa fila quilométrica a hora de ingressar no estádio. Sem cantoria, sem reclamação, sem alarido algum. Apenas com sorrisos. Todos com a camisa azul escura da seleção. Muitas personalizadas com os nomes do momento: Kubo, Mitoma, Minamino, Kamada, Ueda.

O Japão montou uma seleção forte, com uma geração talentosa, que desenvolveu a técnica e manteve a disciplina tática. Olha o que o Zico foi fazer. Eles são estudiosos e obedientes.

Assim, 34 anos depois de Zico dar os primeiros toques na bola, aqui estão os japoneses empolgando seu país e marcando presença de verdade numa Copa. Sem falar alto, sem se agitar, sem colocar o pé na porta.

À maneira deles, evoluíram e mudaram de prateleira, sim, no cenário das seleções. Deixaram o grupo lá de baixo, do primeiro andar e subiram para um posto intermediário.

Serão campeões mundiais? Em um espaço de três, quatro Copas do Mundo, não. Está muito claro isso. Mas eles já não são coadjuvantes. A prova está na seleção atual. Dos 26 convocados, apenas três, os dois goleiros reservas e o veterano zagueiro Nagatomo, 39 anos. Os demais estão espalhados por ligas europeias.

O porquê da evolução

Há um trabalho por trás dessa evolução japonesa. Aliás, se tiver oportunidade, busque nas redes sociais vídeos dos treinos dos japonesinhos e japonesinhas. São dezenas deles em um campo, cada um com uma bola, treinando drible.

Em alguns vídeos, os garotos e as garotas estão com os olhos vendados, passando a bola de um pé para outro. Um tipo de exercício que nós já pouco fazemos. Estamos mecanizando nossos garotos, ensinando tática, tirando o que mais tínhamos de forma espontânea, o trato com a bola. Enquanto isso, os japoneses resgatam algo que era nosso lá atrás. Em silêncio, sem fazer alarde. E sempre com um sorriso no rosto.

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