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Irã e Egito farão a 'Partida do Orgulho' na Copa

Por Diário de Goiânia · · 4 min de leitura

O técnico do Irã, Amir Ghalenoei, afirmou que não vai comentar "coisas que não existem" enquanto sua equipe se prepara para enfrentar o Egito na Partida do Orgulho, em Seattle. O jogo está marcado para a sexta-feira que antecede o Pride Weekend, evento que celebra a diversidade e a comunidade LGBTQ+.

Organizadores locais programaram apresentações de drag queens e festas para assistir à partida em toda a cidade. Bandeiras arco-íris, símbolo do orgulho LGBTQ+, diversidade e inclusão social, serão exibidas dentro do estádio. Apesar das reclamações do Irã e do Egito, países onde a homossexualidade é ilegal, o evento será realizado normalmente.

As duas equipes afirmam estar focadas apenas no futebol. Os técnicos evitaram perguntas sobre o orgulho gay nas entrevistas coletivas antes da partida, que começa às 04h00 (horário de Brasília) deste sábado. "Estamos aqui para jogar futebol, não para outras coisas", disse Ghalenoei. "Quanto às coisas que são proibidas em nossa religião e não existem, não queremos falar sobre elas. Falamos apenas sobre a partida, o futebol e a beleza do jogo."

Do outro lado da rua, autoridades do comitê anfitrião de Seattle insistiram que o horário da Partida do Orgulho não foi planejado para provocar. O Pride Weekend já estava programado antes do sorteio que colocou Egito e Irã no mesmo grupo, disseram à BBC. Eles acrescentaram que a resposta ao desconforto deve ser a curiosidade, e não o recuo.

"Estamos entusiasmados", disse Hedda McLendon, do comitê organizador da Copa do Mundo em Seattle, durante coletiva de imprensa. "Pode não ser como você quer viver ou como as coisas são no seu país, mas isso é algo que nos torna únicos e queremos que você experimente e tenha curiosidade."

Com uma vista impressionante do estádio de futebol de Seattle, McLendon e outros membros do comitê repetiram que não importava quem estivesse jogando. A partida foi agendada antes da definição das equipes e eles celebrariam a beleza do futebol e o orgulho gay independentemente dos times.

Partida é sobre Seattle, não sobre Egito ou Irã

"A partida é sobre Seattle, não sobre Egito ou Irã", disse a lenda do futebol galês Jess Fishlock, que vive em Seattle e joga pelo Seattle Reign FC, além de integrar o comitê anfitrião. "Independentemente de quem estivesse jogando, seríamos os mesmos. É uma parte muito importante da identidade e da cultura de Seattle."

A Fifa, órgão que governa o futebol, afirmou que bandeiras arco-íris serão permitidas dentro do estádio. A entidade ressaltou, no entanto, que esta não é uma Partida do Orgulho da Fifa, mas apenas mais um jogo da Copa do Mundo ocorrendo em uma cidade que celebra o Pride Weekend.

"A Copa do Mundo da Fifa 2026 é um evento inclusivo que acolhe pessoas de todas as origens. Fãs de todas as orientações sexuais e identidades de gênero são bem-vindos nas partidas e eventos", disse a Fifa em comunicado. "Declarações gerais de direitos humanos, incluindo bandeiras arco-íris e outras bandeiras que representam orientação sexual e identidade de gênero, são permitidas pelo código de conduta dos estádios da Copa do Mundo da Fifa 2026 e podem ser exibidas dentro dos estádios, desde que usadas de acordo com o código."

Em uma zona de torcedores, encontramos fãs egípcios torcendo pelo México dias antes de sua equipe enfrentar o Irã. Para eles, o orgulho gay era irrelevante. "Agora a questão são duas equipes tentando avançar para a próxima fase", disse Makarius Demian, acrescentando que apoia os direitos dos gays. "Partida do Orgulho ou não, isso não é o que importa."

Perto do telão, um restaurante egípcio improvisado se prepara para a partida e para os fãs que desejam um gostinho de casa. O Koshari é um prato típico egípcio, uma mistura de lentilhas, grão-de-bico, macarrão, cebola frita e molho de alho e tomate. Os proprietários Ayman Almasri e Amani Abouammo fecharam seu restaurante Koshari durante a Copa do Mundo para abrir uma versão do estabelecimento na zona de torcedores, servindo a comida de rua vegana egípcia.

Eles dizem que ter Egito e Irã jogando em uma partida do Orgulho é estranho e enraizado em um mal-entendido cultural. "Aqui é a cultura. As pessoas estão acostumadas com isso", disse Abouammo. "Em casa, as pessoas não estão acostumadas. É essa confusão em que cada lado não consegue entender o outro."

Em campo, há muito em jogo. O Egito chega para esta partida com embalo após vencer a Nova Zelândia e com chance real de vencer o Grupo G. O Irã, por outro lado, chega em um clima muito diferente, com seu torneio já marcado por política, restrições de viagem e reclamações sobre o tempo de preparação, mesmo tendo permissão para chegar à cidade-sede mais cedo do que em partidas anteriores.

Enquanto Egito e Irã tentam se aproximar das fases eliminatórias, esta partida é sobre mais do que o que acontece em campo. É também um vislumbre do que acontece quando uma Copa do Mundo chega a uma cidade que celebra um conjunto de valores, enquanto duas das equipes participantes chegam carregando valores muito diferentes.

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