Federações veem 'ações externas' contra criação de Liga
Presidentes de federações estaduais de futebol afirmam acreditar que as denúncias contra o presidente da CBF, Samir Xaud, sobre o uso de recursos da entidade para gastos luxuosos e pessoais são estimuladas por interesses contrariados pela decisão dele de apoiar a criação de uma liga única no futebol brasileiro. As informações foram publicadas pelo portal Leo Dias.
Segundo eles, a CBF está contrariando investidores que gostariam de controlar a comercialização dos direitos do Campeonato Brasileiro. "Está claro que existem ações externas com interesses de interromper esse processo para retomar influências de decisões", afirma o vice-presidente da CBF e presidente da FPF (Federação Paraense de Futebol), Ricardo Gluck.
"O sentimento geral é de que isso tudo se intensifica justamente no momento em que reunimos mais uma vez os clubes para discutir a criação de uma liga unificada. Após nos reunirmos com ligas europeias no início do ano (Premier League, Bundesliga e La Liga), realizamos mais uma vez encontros importantes em Nova York entre clubes e federações como a NFL e MLS. Sabemos que são movimentos que incomodam muitos interesses externos. Creio que não há coincidência nisso", disse ele em mensagem enviada à coluna.
"Há um esforço externo para gerar desgastes internos justamente em um momento de rara convergência entre CBF, federações e clubes", completa. Ele afirma, no entanto, não poder nominar quem seriam os detratores de Xaud.
O presidente da FGF (Federação Gaúcha de Futebol), Luciano Hocsman, afirma que o assunto foi discutido em uma reunião na quarta (17) entre Xaud e os presidentes de 22 federações. "Não temos elementos concretos para apontar responsáveis por vazamentos ou pela disseminação dessas informações, mas há uma convicção de que existem interesses externos incomodados com esse momento de unidade e fortalecimento institucional", diz ele.
"A perspectiva de uma liga controlada por clubes e federações contraria interesses de grupos que sempre estiveram acostumados a exercer influência sobre o futebol brasileiro. Há agentes financeiros e empresas que possuem interesses comerciais relevantes e que naturalmente perdem espaço quando as entidades esportivas passam a ter mais autonomia e poder de decisão", segue. Ele afirma ainda que "essas tentativas de geração de crise são artificiais e decorrem somente de disputas de interesses, não de problemas reais de gestão".
O presidente da FGF (Federação Goiana de Futebol), Ronei Freitas, afirma que "o trabalho positivo" de Xaud "tem despertado ciúmes em muita gente, grandes investidores, agências e pessoas interessadas em não ter a formação de uma liga única". "Quem tentou organizar o futebol brasileiro de fora para dentro não conseguiu. Agora que clubes e federações estão avançando juntos, surgem tentativas de enfraquecer esse processo. Mas o ambiente hoje é de cooperação, estabilidade e construção de longo prazo, algo fundamental para que o Brasil finalmente tenha uma liga entre as maiores do mundo", diz ele.
Freitas diz ainda lamentar que aspectos pessoais da vida de Xaud tenham sido expostos. "Lamento muito essa turbulência num momento tão especial como a Copa do Mundo, achei de muito mau gosto o ataque pessoal e familiar ao nosso presidente, espero que tudo isso seja passado a limpo e as pessoas que provocaram essa situação, sejam devidamente punidos e que possam fazer a reparação necessária", finalizou.