FCC tenta salvar TV aberta
A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos, a FCC, anunciou uma medida para tentar preservar a televisão aberta no país. A decisão, publicada em coluna de opinião do The Wall Street Journal, ocorre em um momento de queda na audiência e na receita das emissoras locais.
O órgão regulador decidiu eliminar a regra que limitava a propriedade de estações de TV por uma mesma empresa. A mudança abre caminho para que grupos maiores comprem mais emissoras em diferentes mercados. A ideia é dar mais escala financeira às empresas do setor para que elas consigam competir com as plataformas de streaming e a publicidade digital.
A reação à medida foi dividida. O jornal Toledo Blade publicou um editorial classificando a decisão como um erro. O texto afirma que a consolidação pode reduzir a diversidade de vozes e o jornalismo local, que já sofre com cortes constantes. Para o periódico, permitir que poucos grupos controlem muitas estações não resolve o problema de fundo, que é a falta de um modelo de negócio sustentável para a TV aberta.
Por outro lado, a NBC News reportou que a indústria de radiodifusão recebeu bem a mudança. As emissoras argumentam que a regra antiga era ultrapassada e impedia fusões necessárias para investir em equipamentos e programação. Com a flexibilização, espera-se um movimento de compra e fusão entre redes médias e grandes grupos de mídia.
Especialistas apontam que a sobrevivência da TV aberta depende de uma combinação de fatores. Além da consolidação, o setor precisa negociar melhores taxas de retransmissão com operadoras de cabo e satélite. Também é preciso ampliar a oferta de canais digitais gratuitos, que usam o espectro para transmitir programação em alta definição para celulares e aparelhos conectados.
A decisão da FCC ainda pode ser contestada na Justiça por grupos de defesa do consumidor. Eles afirmam que a medida favorece grandes corporações e prejudica o acesso à informação em cidades pequenas, onde a TV aberta é a principal fonte de notícias.