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Engenheiro do arranha-céu mais alto revela segredo

Por Diário de Goiânia · · 3 min de leitura

O engenheiro John Peronto, gerente de projeto da Jeddah Tower, o edifício mais alto do mundo, em construção na Arábia Saudita, revelou um detalhe pouco conhecido sobre a estrutura. Cerca de um terço da torre ficará acima da camada limite atmosférica, a região da atmosfera onde a maioria dos fenômenos climáticos ocorre. “Não falamos muito sobre isso em arranha-céus, porque poucos realmente atingiram esses níveis de altura”, disse Peronto à Newsweek.

Com projeto finalizado, a Jeddah Tower ultrapassará os 1.000 metros de altura (cerca de 3.281 pés), superando o Burj Khalifa, em Dubai, atual edifício mais alto do mundo, com aproximadamente 2.717 pés. O arquiteto Adrian Smith, que também projetou o Burj Khalifa, é um dos responsáveis pelo novo projeto.

Impacto ambiental e sustentabilidade

A construção de edifícios tão altos levanta questões sobre seu impacto ambiental. De acordo com o World Green Building Council, os edifícios são responsáveis por 39% das emissões globais de carbono relacionadas à energia. Desse total, 28% vêm do consumo operacional e 11% dos materiais e da construção. Uma parcela significativa disso é o chamado carbono incorporado, definido como as emissões geradas ao longo de todo o ciclo de vida dos produtos de construção.

O arquiteto Gordon Gill afirmou que o desafio real está em reformar edifícios existentes e torná-los mais sustentáveis. “A maioria do carbono incorporado está principalmente na infraestrutura e na estrutura desses edifícios”, disse ele. Apesar disso, Gill descreveu a Jeddah Tower como “extremamente eficiente”, destacando que o equilíbrio entre forma e desempenho é essencial.

O World Green Building Council alertou que o “carbono inicial”, emitido antes da operação do edifício, pode representar metade da pegada de carbono total de novas construções até 2050.

Construção acima da camada limite

A altura da torre oferece uma vantagem rara de engenharia. A camada limite atmosférica, que normalmente se estende de um a três quilômetros acima do solo, é onde ocorrem os efeitos mais intensos do vento, como correntes descendentes de tempestades. Peronto explicou que, acima dessa camada, embora os ventos sejam mais frequentes, as cargas máximas podem ser menores. “As cargas máximas são, na verdade, menores do que as que você veria em altitudes mais baixas”, disse.

Estabilidade do arranha-céu

O projeto da Jeddah Tower utiliza uma estrutura de três pernas, escolhida por sua eficiência e estabilidade. Peronto explicou que “o número mínimo de pernas para estabilidade é três”, questionando a necessidade de uma quarta perna quando o objetivo é maximizar a eficiência. A geometria triangular permite uma rotação que maximiza o círculo ao redor da torre, tornando-a mais eficaz do que uma estrutura de quatro pernas. O engenheiro acredita que a Jeddah Tower será “provavelmente o edifício alto mais confortável do planeta”, devido à sua grande massa, que exige muita energia do vento para ser excitada.

Equilíbrio entre gravidade e forma

Apesar da atenção ao vento, Peronto destacou que a gravidade é o principal fator que rege o projeto. “O que realmente impulsiona essas estruturas é o fato de que você tem que resistir a cargas gravitacionais enormes”, disse. Para isso, a estrutura se alarga na base, distribuindo as cargas de forma mais eficiente, sem exigir paredes excessivamente espessas.

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