segunda-feira, 22 de junho de 2026Noticias em tempo real
Diário de Goiânia
Insights

De bancário à Copa: o sonho de Roberto Lopes

Por Diário de Goiânia · · 2 min de leitura

O zagueiro Roberto Lopes, conhecido como "Pico", recebeu uma mensagem no LinkedIn em 2018 e achou que fosse spam. Na época, ele trabalhava em um banco em Dublin e jogava futebol de forma semiprofissional pelo Shamrock Rovers, da Irlanda. Filho de mãe irlandesa e pai cabo-verdiano, Lopes não sabia que havia sido identificado pelo técnico da seleção de Cabo Verde, Rui Águas, que buscava jogadores para reforçar a equipe do pequeno país insular da África Ocidental.

Nove meses depois, Águas enviou uma nova mensagem, desta vez em inglês, perguntando se Lopes havia visto o contato anterior. "Copiei a mensagem inicial e coloquei no Google Tradutor. Dizia basicamente: 'Estamos procurando novos jogadores para a seleção de Cabo Verde. Você teria interesse em defender o país?'", lembrou Lopes ao BBC Sport. "Fiquei muito animado. Respondi que sim, adoraria fazer parte do grupo." Três semanas depois, após conseguir documentos como certidão de nascimento e passaporte do pai, Lopes estava em um avião para sua estreia internacional contra o Togo.

Sete anos depois, Cabo Verde e Lopes estrearam na Copa do Mundo. Na última semana, o país fez sua primeira aparição no torneio e empatou sem gols com a Espanha, um resultado notável considerando que o confronto colocou frente a frente a terceira seleção do ranking mundial contra a 64ª colocada. Para Lopes, a oportunidade é difícil de acreditar. "Desde criança, todo jogador de futebol sonha em jogar no nível mais alto possível. Para mim, isso não vai além da Copa do Mundo", disse. "Poder representar minha família na seleção e colocar nosso nome em um dos maiores eventos esportivos do mundo me enche de orgulho."

Lopes afirma que deixar a carreira bancária pelo futebol foi arriscado. "Era arriscado porque eu tinha um emprego estável", lembrou em vídeo divulgado pela FIFA. "Naquele momento, a liga irlandesa não oferecia muita segurança em termos de carreira no futebol. Quando o técnico me falou sobre o plano e as ideias dele, eu tinha que fazer parte daquilo." Ele viu a oportunidade como um experimento de curto prazo, talvez dois anos, mas o que se seguiu superou todas as expectativas. "Acho que alcançamos o que queríamos, mas ainda queremos mais."

Cabo Verde enfrentará o Uruguai em 21 de junho e a Arábia Saudita em 26 de junho.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X
Leia também