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Datafolha é atropelada por revelações políticas

Por Diário de Goiânia · · 2 min de leitura

O instituto Datafolha foi surpreendido, pela segunda vez neste ano, por um fato político de grande impacto durante a coleta de uma pesquisa nacional. A nova sondagem, iniciada na quarta-feira, 17, e com divulgação prevista a partir desta sexta-feira, 19, ocorre em meio à operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A ação aconteceu na quinta-feira, 18, enquanto os entrevistadores do instituto estavam em campo ouvindo eleitores em todo o país.

O episódio repete o que ocorreu em maio, quando outra pesquisa do instituto foi realizada durante a explosão do caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Na ocasião, a divulgação de áudios do parlamentar sobre um pedido de recursos para financiar um filme alterou o centro do debate político durante a coleta dos dados. O Datafolha chegou a voltar a campo na semana seguinte para tentar captar os reflexos do caso.

Após o surgimento do caso Banco Master, diversas pesquisas de outros institutos, como AtlasIntel, Quaest e BTG/Nexus, registraram uma deterioração nos números de Flávio Bolsonaro. A Quaest, por exemplo, identificou que 65% dos eleitores consideraram um erro o pedido de recursos feito por Flávio a Vorcaro. O levantamento também mostrou aumento da rejeição ao senador e perda de apoio entre eleitores independentes.

Com a operação contra Jaques Wagner, a situação se repete em condições semelhantes. A coleta do Datafolha começou no mesmo dia em que a investigação se tornou o principal tema político do país. O problema para analistas é que pesquisas captam percepções em tempo real. Quando um fato de grande repercussão explode durante a coleta, parte dos entrevistados responde antes de tomar conhecimento do episódio, enquanto outra parcela já responde influenciada pelas novas informações.

O levantamento que será divulgado nesta semana pode refletir não apenas tendências estruturais da disputa presidencial, mas também os primeiros sinais de reação do eleitorado ao novo capítulo das investigações. Além das intenções de voto para presidente, o instituto avaliará aprovação e reprovação do governo Lula, rejeição dos principais candidatos, percepção sobre economia e segurança pública. O questionário também inclui perguntas sobre o impacto político de um eventual apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a candidatos brasileiros.

A expectativa do mercado político é alta porque os últimos levantamentos apontaram um movimento convergente. Na pesquisa CNT/MDA divulgada nesta semana, Lula aparece com 49,3% contra 36,8% de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Na BTG/Nexus, o presidente registra 49% contra 43%. No primeiro turno, a CNT/MDA mostrou Lula com 41,8% contra 28,2% de Flávio, enquanto a BTG/Nexus registrou 42% a 33%. Como a operação contra Wagner ocorreu durante a coleta, o resultado possivelmente será questionado tanto pelo governo quanto pela oposição, funcionando mais como uma fotografia de transição entre dois momentos da campanha.

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