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Correios suspendem plano e adiam fechamento de agências

Por Diário de Goiânia · · 3 min de leitura

Os Correios suspenderam parcialmente o plano de reestruturação apresentado no ano passado. As medidas interrompidas incluem o fechamento de agências, a retirada de uma gratificação de R$ 500 para funcionários que atendem ao público e a adoção de um sistema de mapeamento de recursos para entregas. A decisão foi tomada após a ameaça de greve por parte dos servidores.

A suspensão ocorre enquanto a direção da empresa, comandada por Emmanoel Rondon, busca um novo empréstimo de R$ 7 bilhões. O objetivo é reverter os resultados negativos dos últimos anos. A estatal fechou o ano de 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, o déficit foi de R$ 3,1 bilhões.

Em nota, os Correios afirmaram que a suspensão é temporária e servirá para que entidades representativas dos trabalhadores apontem possíveis distorções na aplicação das medidas. A empresa disse que as demais iniciativas do plano de reestruturação terão continuidade. Ações como a venda de imóveis e outras medidas de contenção de despesas estão mantidas.

A suspensão foi proposta em carta a sindicalistas, como resposta ao movimento grevista. Os representantes dos trabalhadores haviam indicado uma paralisação na terça-feira passada. Após o aceno da direção, recuaram e mantiveram apenas o estado de greve. A categoria pode cruzar os braços a qualquer momento se houver descumprimento dos termos da negociação pela empresa.

“Como demonstração concreta do compromisso dos Correios com o diálogo e com a busca de soluções construídas de forma negociada, propõe-se a suspensão do fechamento de unidades previstas no plano de reestruturação dos Correios até 31 de julho de 2026, ressalvadas as unidades fechadas ou em processo avançado de fechamento”, diz a carta, assinada pelo presidente da empresa e pelos diretores de Gestão de Pessoas e de Operações.

No período da suspensão, serão avaliados e debatidos novos fechamentos, com “análise técnica, institucional e social das situações apresentadas”. A direção também propôs a suspensão do sistema de dimensionamento de distribuição e a reavaliação de medidas já realizadas em junho. Além disso, comprometeu-se com a interrupção da retirada das remunerações relativas ao Adicional de Atendimento em Guichê (AAG) e Quebra de Caixa.

Das ações paralisadas, o fechamento de agências e centros de tratamento e distribuição é uma das mais relevantes para a recuperação financeira. Das 1.000 unidades que a empresa pretendia reduzir, com economia prevista de R$ 2,1 bilhões, 256 tiveram suas atividades encerradas até o momento.

O novo programa de demissão voluntária (PDV), que deve ser anunciado em breve, será voltado exclusivamente para as unidades que serão fechadas, que têm 7 mil funcionários. Na primeira iniciativa de desligamento voluntário deste ano, 3.075 funcionários aderiram, abaixo da meta de 10 mil. A economia foi de cerca de R$ 700 milhões, contra o objetivo de R$ 1,4 bilhão. Agora, a meta é desligar entre 2 mil e 3 mil pessoas.

Na parte do plano que envolve novas receitas, a empresa vem avançando em parcerias. O plano de reestruturação foi apresentado no ano passado, diante de uma grave crise financeira e como condição do governo para que o Tesouro Nacional desse aval a um empréstimo de R$ 12 bilhões para socorrer a estatal.

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