Copa: torcer por Cazé TV ou Globo não vale a pena
O brasileiro tem o hábito de torcer por tudo. Na Copa do Mundo, a opinião pública se dividiu entre cazeístas e globistas, torcedores da CazéTV e da Globo.
Quem critica a CazéTV diz que a transmissão é bagunça. Rafael Oliveira e Juliana Cabral falam tão sério quanto comentaristas da Globo. Luís Felipe Freitas e Fernando Nardini narram bem. Já a ideia de que a narração na Globo é feita por senhores mal-humorados também não é verdade. Everaldo Marques e Paulo Andrade narram em alto nível.
A diferença entre os canais está mais na plataforma do que na linguagem. A CazéTV mostra o número de inscritos na tela, pois essa é a métrica de sucesso para ela, assim como o Ibope é para a Globo. A participação do chat no YouTube é natural, como eram as contribuições de torcedores que a Globo usava.
Na autopromoção, os canais também se parecem. A CazéTV fala sobre a Casa CazéTV e a campanha para seguir o Vozinha. Não é diferente do “bem, amigos da Rede Globo”. Casimiro é para a nova geração o que Galvão Bueno foi para a antiga.
Ter preferência por um narrador ou comentarista é compreensível. O problema é torcer para uma empresa e brigar com os outros por isso. A polarização cria um mercado motivado por ódio e indignação. Um influenciador ataca a Globo, outro ataca a CazéTV, e quem sofre é o profissional que trabalha para elas.
A Copa de 2026 é a mais fragmentada da história da televisão brasileira. Para metade dos jogos, o público pode escolher entre Globo, SBT, N Sports e CazéTV. Para a outra metade, só na Cazé. O controle remoto permite escolher. A paixão deve ficar reservada para a seleção brasileira.