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Copa: Cazé TV vs Globo divide público

Por Diário de Goiânia · · 2 min de leitura

O brasileiro tem o hábito de torcer por tudo. Se a igreja vai escolher o próximo Papa, o cidadão torce pelo Padre Marcelo Rossi – e nem católico ele é. Esse é o traço que talvez explique o fenômeno do torcedor de emissora. Nesta Copa do Mundo, de maneira mais acintosa, a opinião pública se dividiu entre cazeístas e globistas.

Quem vê o hater da CazéTV falar, acha que a transmissão é bagunça, piada de quinta série o tempo todo. E não é. Rafael Oliveira e Juliana Cabral falam tão ou mais sério do que comentaristas sisudos da Globo. Luís Felipe Freitas e Fernando Nardini narram tão bem, ou melhor. A narrativa não bate com a realidade.

Já o papo de que a narração na Globo é feita por senhores engravatados e mal-humorados também não cola. Everaldo Marques e Paulo Andrade narram no mais alto nível, e não têm a cintura dura. Há ex-jogadores e jornalistas entre comentaristas – uns mais sérios, outro engraçadinhos. Nada novo sob o sol.

A diferença mais sensível entre os canais tem mais a ver com a plataforma do que com a linguagem. A CazéTV coloca o número de inscritos na tela e comemora cada marca superada, porque essa é a métrica de sucesso para ela – como o Ibope é para a Globo. A participação do chat é natural no YouTube, como eram as contribuições de torcedores que a Globo inseria, por outros meios de contato.

Até na autopromoção os canais não se distinguem tanto. A CazéTV fala o tempo todo sobre si mesma: a Casa CazéTV, a campanha para seguir o Vozinha, a camisa do Brasil entregue a Harry Kane. Não é tão diferente do chavão “bem, amigos da Rrrede Globo”, entre tantos outros. Casimiro é para a nova geração o que Galvão Bueno foi para a antiga. Ambas as empresas gostam muito de falar de si mesmas.

Ter preferência por este ou aquele narrador, um comentarista ou outro, entendo e tenho as minhas. Inconcebível é se tornar torcedor de empresa e brigar com os outros por aí. Você provavelmente não é acionista delas; eu também não sou.

O mau da polarização até para canal de esporte é que se forma um mercado no entorno dela, motivado a ódio e indignação. Um influenciador sobe o tom para falar mal da Globo aqui, outro ataca a CazéTV ali – e quem paga o pato é o profissional que trabalha para elas e não tem nada a ver com a confusão.

A Copa de 2026 é a mais fragmentada da história da televisão brasileira. Para metade das partidas, você pode escolher entre Globo, SBT, N Sports e CazéTV. Para a outra metade, só na Cazé. Goste mais desta ou daquela, o controle remoto é indefectível. A relação passional, você pode reservar para a seleção brasileira.

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