Colômbia decide presidência entre Petro e outsider
As urnas fecharam neste domingo (21) na Colômbia para o segundo turno das eleições presidenciais. A disputa é entre o candidato de extrema direita Alberto de la Espriella e o esquerdista Iván Cepeda, apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro.
De la Espriella, advogado de 47 anos e empresário sem experiência política, se apresenta como um "salvador anti-establishment". Ele venceu o primeiro turno com propostas de combate ao crime organizado, corte de programas governamentais e impostos, além da revitalização da exploração de petróleo. O candidato é cidadão naturalizado dos Estados Unidos, viveu em Miami e é republicano registrado.
Já Cepeda, filósofo de 63 anos e senador defensor dos direitos humanos, promete dar continuidade ao projeto político de Gustavo Petro. No primeiro turno, ele explorou os avanços sociais do governo atual, mas também herdou o desgaste da gestão de Petro por dificuldades no combate ao crime organizado.
A violência é o principal fator de preocupação entre os colombianos, segundo pesquisas de opinião. De la Espriella promete uma ofensiva militar e a construção de 10 megaprisões. "No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei", afirmou. Cepeda defende a continuidade das negociações de paz com grupos armados.
A analista político Eduardo Pizarro afirmou que a percepção de insegurança aumentou nas cidades, incluindo preocupações com extorsão e pequenos delitos. A expansão de grupos armados em áreas rurais também afetou mais civis.
Caso De la Espriella vença, a onda de líderes de extrema direita na América Latina conquistaria seu maior triunfo. O movimento tem entre seus representantes Nayib Bukele, em El Salvador, Javier Milei, na Argentina, e José Antonio Kast, no Chile.
Resultado pode gerar tensões
A disputa acirrada gerou temores de que o governo Petro reivindique os resultados caso De la Espriella seja eleito. O Tribunal Eleitoral da Colômbia pediu que todas as partes respeitem o resultado. Autoridades temem que a contestação incentive protestos e aumente episódios de violência.
No ano passado, o candidato da direita à presidência, Miguel Uribe, um dos favoritos nas pesquisas, foi assassinado durante um comício. De la Espriella culpa Petro pelos problemas econômicos e de segurança do país e prometeu reduzir o tamanho do Estado em 40%.