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Casimiro: R$2 bi em patrocínio e 8 bi de views

Por Diário de Goiânia · · 2 min de leitura

O dia de trabalho de Casimiro Miguel começa por volta do meio-dia. Antes de sair de casa, ele tem aula de inglês. De estômago vazio, atravessa o Rio de carro até Botafogo, enfrentando o trânsito. Lá, almoça um joelho, salgado de queijo com presunto, e bombas de chocolate, vestindo moletom. Participa de reuniões com o mesmo tom de conversa informal que usa em suas lives.

Fernanda Torres, em uma conversa com ele no ano passado, perguntou como alguém consegue transformar atividades feitas no próprio quarto em uma potência de mídia. A resposta não está no manual que o mercado de comunicação escreveu nos últimos 50 anos.

O canal de Casimiro soma 31 milhões de inscritos e 8 bilhões de visualizações no YouTube. Só em 2025, foram 3,7 bilhões de visualizações. A LiveMode, empresa que controla a operação, recebeu um aporte estimado em R$ 450 milhões da General Atlantic e do braço de private equity da XP.

A empresa vendeu 11 cotas de patrocínio da Copa do Mundo por R$ 185 milhões cada, totalizando cerca de R$ 2 bilhões em receita comercial do torneio. O Itaú BBA projeta que o mercado brasileiro de direitos de mídia esportiva pode chegar a R$ 12 bilhões. O canal está no centro dessa equação. Tudo começou com um rapaz reagindo a vídeos de arrumação de lancheiras.

A história que o mercado ainda não contou direito é a da LiveMode. Edgar Diniz e Sérgio Lopes, executivos com passagem pelo Esporte Interativo, fundaram a empresa em 2017 em um coworking com dois sócios e três estagiários. Eles apostaram em distribuição digital de esporte quando o mercado ainda estava focado na TV.

Em 2022, identificaram uma brecha na Copa do Catar: os direitos digitais ainda não tinham dono. Fecharam com a Fifa antes que qualquer emissora percebesse a oportunidade. Chamaram Casimiro para ser o rosto. A estreia foi Brasil e Sérvia, com 3,5 milhões de espectadores simultâneos no YouTube. Em quatro anos, saíram de um coworking para comandar todos os 104 jogos da Copa mais assistida da história.

Nas quartas de final da Copa do Catar, o Brasil perdeu para a Croácia nos pênaltis. Naquele momento, o canal tinha quase 7 milhões de pessoas assistindo juntas. Foi nessa derrota que o produto se provou. A operação hoje vai além de um cara no estúdio. A empresa lançou canal em Portugal com Cristiano Ronaldo como acionista. Está explorando expansão para TV aberta. Fechou direitos da Libertadores e negociou ciclos com clubes brasileiros que vão até 2075.

Casimiro disse em uma entrevista que acha fascinante a ideia de que alguém em uma garagem pode estar criando agora o próximo negócio capaz de mudar o que ele construiu. R$ 2 bilhões em patrocínio, 31 milhões de inscritos, General Atlantic e XP como investidores, Cristiano Ronaldo como sócio. Tudo construído por um homem que chega no trabalho depois do meio-dia, come joelho no almoço e prefere o quarto ao estúdio quando pode escolher.

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