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Canhão da Segunda Guerra é achado intacto na Alemanha

Por Diário de Goiânia · · 3 min de leitura

Um canhão de assalto da Segunda Guerra Mundial foi encontrado quase intacto durante obras de construção na base aérea naval de Nordholz, no litoral do Mar do Norte, na Alemanha. O veículo, um StuG III de aproximadamente 29 toneladas, permaneceu enterrado na areia por cerca de 80 anos em um estado de conservação considerado excepcional.

Segundo a Agência Federal Alemã para Gestão de Imóveis, descobertas desse tipo normalmente revelam apenas fragmentos de veículos ou peças isoladas. Desta vez, os operários encontraram um blindado quase completamente preservado, um raro vestígio dos últimos meses da Segunda Guerra Mundial no noroeste da Alemanha.

O veículo identificado é um StuG III (Sturmgeschütz III), um dos blindados sobre esteiras mais produzidos pela Wehrmacht. Diferentemente dos tanques convencionais, ele não possuía torre giratória. Seu canhão era fixado na parte frontal, exigindo que todo o veículo fosse movimentado para realizar a pontaria.

Mais de 9.300 unidades desse modelo foram produzidas pela Rheinmetall. A fabricação continuou até as últimas semanas do conflito, sendo encerrada apenas em abril de 1945. O principal objetivo desses veículos era combater tanques inimigos.

Os arqueólogos acreditam que o blindado pertencia a uma brigada estacionada em Nordholz e empregada em operações militares na França. Ainda não foi possível comprovar se esse veículo específico participou dos combates naquele país.

Os pesquisadores identificaram indícios de que o blindado permaneceu em serviço por um longo período. Foram observadas pelo menos 17 marcações brancas pintadas no cano do armamento. Segundo os arqueólogos, esses símbolos provavelmente correspondiam ao número de tanques inimigos destruídos.

Para o arqueólogo Andreas Hüser, responsável pelo serviço de patrimônio arqueológico do distrito de Cuxhaven, o excelente estado de conservação permitirá investigar diversos aspectos sobre o veículo e sua história. Os pesquisadores pretendem compreender por que ele foi enterrado, se partes foram retiradas antes do descarte e quais vestígios ao redor podem explicar os acontecimentos após o fim da guerra.

Os arqueólogos conseguiram abrir o veículo sem grandes dificuldades e encontraram seu interior em condições surpreendentes. O banco do motorista permaneceu preservado, assim como suportes usados para operar o armamento. Segundo Hüser, o espaço interno chama atenção pelo tamanho extremamente reduzido, proporcionando uma dimensão concreta das condições enfrentadas pelos quatro soldados que compunham a tripulação: motorista, operador do canhão, comandante e responsável pelo carregamento da arma.

Durante a escavação foram encontrados fragmentos de munição e pequenas partes de projéteis. Os especialistas acreditam que o blindado tenha sido enterrado pelos Aliados logo após o encerramento da guerra, junto com outros equipamentos militares.

O excelente estado de preservação é atribuído ao local onde o veículo permaneceu enterrado. Como estava em uma área de areia seca, próxima à borda de um declive, o blindado sofreu pouca degradação ao longo das últimas oito décadas. Em vários pontos ainda é possível observar vestígios da pintura original de camuflagem, enquanto partes do sistema de rodagem permanecem praticamente intactas.

A previsão é que o StuG III seja transportado em agosto para a cidade de Munster, onde especialistas realizarão trabalhos de estabilização e conservação. Posteriormente, o blindado será encaminhado ao Museu de História Militar da Bundeswehr, em Dresden, onde passará a integrar uma exposição permanente dedicada à Segunda Guerra Mundial.

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