quinta-feira, 25 de junho de 2026Noticias em tempo real
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Betano sofre nova derrota na Justiça trabalhista

Por Diário de Goiânia · · 3 min de leitura

A operação brasileira da Betano foi condenada pela Justiça do Trabalho por demitir um funcionário de forma retaliatória. A sentença é da 36ª Vara do Trabalho de São Paulo e atinge a Kaizen Gaming Brasil, dona da marca de apostas esportivas.

O ex-coordenador de departamento pessoal foi demitido dois dias depois de fazer denúncias nos canais internos de compliance da empresa. A juíza Aline Soares Arcanjo entendeu que o desligamento não foi por desempenho, mas uma retaliação direta às queixas do trabalhador.

Segundo a sentença, uma testemunha indicada pela própria Kaizen afirmou que a demissão foi antecipada por ordem da matriz na Grécia. A ordem teria partido do CFO global, Pavlos Kanellopoulos, depois que o funcionário enviou e-mails à diretoria global criticando o ambiente corporativo e a gestão de recursos humanos no Brasil.

A condenação foi baseada na Lei nº 9.029/1995, que proíbe práticas discriminatórias no trabalho. A Kaizen terá que pagar indenização igual ao dobro da remuneração que o trabalhador receberia entre 19 de setembro de 2025, dia seguinte à demissão, e 10 de junho de 2026, data da sentença. O valor inclui salários, 13º, férias e FGTS do período. A empresa também foi condenada a pagar R$ 50 mil por danos morais.

A Justiça também anulou a contratação inicial do funcionário, que foi feita por meio da Page Interim do Brasil, uma empresa de recrutamento. Para a juíza, o trabalhador prestava serviços diretamente à Kaizen desde agosto de 2023, com subordinação e rotina vinculadas à operadora da Betano. Com isso, foi reconhecido vínculo único de emprego com a Kaizen até a dispensa, em setembro de 2025.

Outro ponto da sentença trata do controle de jornada. A Justiça considerou inválidos os registros de ponto de fevereiro a dezembro de 2024. Um depoimento indicou que a matriz na Grécia orientava evitar o registro e o pagamento de horas extras no Brasil. A empresa foi condenada a pagar as horas extras e o intervalo interjornadas que foi parcialmente suprimido.

A sentença, porém, rejeitou o pedido de indenização por assédio moral individual contra a gestora direta do trabalhador, por falta de provas. Cabe recurso ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região.

Outro processo trabalhista

O caso ocorre ao lado de outro processo trabalhista contra a Kaizen no Brasil. Uma ex-diretora da companhia entrou com uma ação que tramita em segredo de Justiça em São Paulo. Ela afirma ter sofrido assédio moral e condutas de conotação sexual durante a implantação da Betano na América Latina.

A ação cita o atual diretor global de operações, Flavio Vivanco, e pede cerca de R$ 780 mil em indenizações, verbas rescisórias e reconhecimento de rescisão indireta. O processo ainda não tem sentença. A ex-executiva diz que comunicou os episódios ao RH e que, após a denúncia, teria sofrido isolamento e perseguição. As acusações dependem de análise judicial.

Os dois casos aumentam a pressão sobre a governança da Kaizen no Brasil, principalmente sobre a eficácia dos canais internos de integridade e a interferência da cúpula internacional em decisões trabalhistas locais. Procurada, a Betano informou que não comenta casos jurídicos.

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