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Angela Davis na Flip: supremacistas saíram do armário

Por Diário de Goiânia · · 2 min de leitura

Angela Davis, escritora e ativista conhecida por sua luta pelos direitos civis e pelo feminismo, afirmou que os supremacistas brancos nos Estados Unidos “apenas saíram do armário”. A declaração foi dada em entrevista durante sua passagem pelo Rio de Janeiro, onde participa da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

Para Davis, o retorno de Donald Trump à presidência não significa que a supremacia branca esteja em ascensão. Ela argumenta que a maioria da população americana não apoia o presidente e que a vitória dele se deve, em parte, à abstenção de muitos eleitores. “As estatísticas indicam que mal um terço de toda a população o apoia”, disse.

Angela Davis também defendeu a abolição do sistema prisional, uma de suas bandeiras mais conhecidas. Questionada sobre como responder a quem teme que essa posição minimize o sofrimento das vítimas de crimes violentos, ela afirmou que a justiça transformativa busca atender às necessidades das vítimas e também entender as causas sociais que levam à violência.

A ativista criticou o uso de tecnologias como reconhecimento facial e algoritmos preditivos na segurança pública. Para ela, essas ferramentas são perigosas porque têm como base o racismo estrutural e são projetadas para manter as estruturas sociais e econômicas atuais.

Sobre o movimento “Defund the Police”, Davis avaliou que ele fracassou em grande parte por causa de intervenções conservadoras. Ela acredita, no entanto, que as bases foram lançadas e que o nível de resistência ainda é grande em comunidades que se levantaram contra o ICE, por exemplo.

A escritora também comentou sobre a solidariedade à causa palestina. Ela disse que a tentativa de equiparar o antissemitismo ao apoio aos palestinos é uma tática usada por conservadores. Davis afirmou que pesquisas nos EUA mostram que a maioria da população se inclina mais para a solidariedade palestina do que para o Estado de Israel.

Organização progressista

Davis apontou a falta de organização como a maior fraqueza do movimento progressista atual. “Não estamos organizados da forma que deveríamos. As possibilidades estão aí, mas não encontramos as formas organizacionais que nos permitirão dar expressão a esses sentimentos políticos”, disse.

Ela também comentou sobre a concentração de riqueza, afirmando que a ascensão dos bilionários dificulta a transformação estrutural. “A riqueza está concentrada de uma forma que nunca experimentamos na história da humanidade”, concluiu.

A ativista participa da Flip no próximo sábado (25), às 18h, em uma plateia com capacidade para 700 pessoas, no Sesc Caborê.

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