Anatel revela acessos de MVNOs no Brasil
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) passou a divulgar, nesta sexta-feira, 19, os dados de acessos de telefonia móvel segmentados por Operadoras Móveis Virtuais (MVNOs) credenciadas. A publicação, referente ao mês de abril de 2026, ocorreu após o Conselho Diretor da agência rejeitar, no dia anterior, um recurso da operadora Claro.
A Claro havia solicitado tratamento sigiloso para os dados individuais das MVNOs credenciadas, argumentando que essas empresas são parceiras comerciais e não possuem autorização direta da Anatel para prestar o Serviço Móvel Pessoal (SMP). A operadora afirmava que a divulgação poderia expor informações comerciais e gerar distorções concorrenciais.
O Conselho Diretor, no entanto, acompanhou o voto do conselheiro Octavio Penna Pieranti e negou o recurso. A decisão estabelece que a publicidade é a regra na administração pública e que o sigilo exige a comprovação concreta de risco. Segundo o acórdão, a Claro não demonstrou, de forma específica, qualquer risco regulatório, concorrencial ou comercial com a divulgação dos dados.
O painel da Anatel mostra, em abril de 2026, 267 registros de empresas credenciadas. Entre as maiores bases estão a Nucommerce (Nucel, do Nubank), credenciada da Claro, com 929,3 mil acessos; a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, vinculada à Surf Telecom, com 855,7 mil; e a Eseye do Brasil Tecnologia da Informação, também da Surf, com 846,8 mil.
Ainda no ranking, aparecem a Linksfield Tecnologia do Brasil, credenciada da Telecall, com 667,5 mil acessos, e a Nuh! Digital (rebatizada para Iuh!), da Surf Telecom, com 464,5 mil. A Deutsche Telekom Global Business Solutions Brasil, credenciada da Claro, registrou 218,9 mil acessos, e a Quectel Brasil, da Next Level Telecom, contou com 184,2 mil.
Em comunicado conjunto, a NuCel e a Claro divulgaram dados mais recentes, de junho, contabilizando mais de 1 milhão de clientes para a MVNO. A empresa atingiu esse número em 17 meses. Livia Chanes, CEO do Nubank no Brasil, afirmou que o resultado confirma que os brasileiros valorizam uma proposta simples e transparente. Carlos Araújo, diretor de Novos Negócios da Claro, disse que o resultado reforça a relevância das MVNOs na estratégia da operadora.
A decisão da Anatel registra que os dados chegaram a ser retirados do painel público após o pedido da Claro. A operadora obteve um efeito suspensivo em seu recurso, o que manteve as informações indisponíveis até a decisão final do Conselho. A TIM e a Associação NEO participaram do processo como terceiras interessadas, defendendo a publicidade das informações.
