Em um artigo publicado no Campo Grande News, a psicóloga Cristiane Lang faz uma reflexão sobre o estado atual da humanidade. A pergunta que dá título ao texto, “Onde viemos parar?”, é apresentada como um lamento que ecoa pela história, sugerindo que o progresso não foi acompanhado de humanidade suficiente.
Lang observa que a sociedade celebra a tecnologia e as cidades iluminadas, mas questiona se o desenvolvimento foi confundido com sabedoria. Ela aponta que, apesar de criar máquinas que aprendem, as pessoas desaprenderam a ouvir. A conexão global, segundo a autora, paradoxalmente levou ao isolamento.
A psicóloga afirma que, a cada notícia, a sensação é de falha como espécie. Ela descreve que violências antes chocantes agora fazem parte da rotina e que tragédias se acumulam como números frios. O espanto, segundo ela, foi substituído pelo cansaço, e a indiferença se tornou um mecanismo de defesa.
O texto critica a ideia de que informação, educação e liberdade levariam a uma sociedade mais consciente, justa e responsável. Lang argumenta que o que se vê é o oposto: opiniões se transformam em armas e diferenças se convertem em trincheiras. A humanidade, diante da escolha, teria optado pela divisão e pelo grito, em vez do diálogo.
A autora destaca uma pressa no ar, uma urgência que empurra para frente sem direção. Ela menciona o trabalho até a exaustão para sustentar um padrão que não satisfaz, o consumo para preencher vazios que objetos não resolvem e a competição como se a vida fosse um pódio estreito. No fim do dia, a pergunta que resta é “isso é tudo?”.
Para Lang, a sensação de que “deu errado” vem da distância entre o que se poderia ser e o que se está sendo. Ela reconhece a capacidade humana para gestos grandiosos e para destruir. A mesma mão que constrói fere, e a mesma mente que cria pontes ergue muros. Ultimamente, segundo ela, os muros têm sido a escolha mais frequente.
A psicóloga afirma que não falta inteligência, mas consciência. Não faltam recursos, mas prioridade. Ela cita o planeta dando sinais de exaustão, as relações sendo tratadas como descartáveis e as pessoas recebendo julgamento em vez de escuta. Para ela, a humanidade não errou por incapacidade, mas por escolhas repetidas.
O artigo conclui que não há um vilão distante para culpar. As falhas estão nas omissões, nos silêncios convenientes e nas pequenas crueldades normalizadas. Lang sugere que a sensação de colapso pode ser um chamado e que o desconforto é sinal de que algo reconhece que poderia ser diferente. Ela defende que reconhecer o erro é o primeiro gesto de maturidade.
Cristiane Lang é psicóloga especialista em oncologia.
