21/03/2026
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Goiânia ainda tem radiação do Césio-137 após série?

A série da Netflix sobre o acidente com Césio-137 em Goiânia reacendeu o debate público sobre o assunto. Muitos se perguntam se ainda há radiação na cidade decorrente do ocorrido em 1987.

As autoridades ambientais e de saúde pública afirmam que não há risco atual para a população. O processo de descontaminação foi considerado completo há muitos anos, após uma grande operação de limpeza.

O acidente radiológico começou quando um aparelho de radioterapia abandonado foi encontrado em uma clínica desativada. A peça interna contendo o material radioativo foi retirada e manipulada por pessoas que não conheciam o perigo.

O Césio-137, uma substância altamente radioativa, se espalhou pela cidade. Quatro pessoas morreram em decorrência da contaminação direta e muitas outras foram afetadas, totalizando centenas de vítimas confirmadas.

Uma extensa área do centro da cidade, incluindo casas e ruas, teve que ser descontaminada. Toneladas de material radioativo, solo e objetos foram removidos e armazenados em um depósito especialmente construído longe da área urbana.

Esse depósito, localizado em Abadia de Goiás, a cerca de 20 quilômetros de Goiânia, é monitorado constantemente. Ele abriga os rejeitos do acidente em contêineres de concreto e aço, projetados para isolar a radiação por longo prazo.

De acordo com relatórios da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), os níveis de radiação nas áreas públicas de Goiânia hoje são normais, equivalentes ao fundo radioativo natural de qualquer cidade. O monitoramento ambiental na região continua de forma rotineira.

Especialistas explicam que, embora o Césio-137 tenha uma meia-vida longa, de cerca de 30 anos, a remoção física do material contaminado e a decomposição radioativa natural reduziram o perigo ao longo das últimas décadas. O maior risco foi controlado durante a resposta de emergência nos anos 80.

A história do Césio-137 em Goiânia segue como um dos maiores acidentes radiológicos do mundo fora de usinas nucleares. Serviu como uma lição para a criação de normas mais rígidas de controle e manejo de fontes radioativas no Brasil.