10/05/2026
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Games da UFMS unem tecnologia, Pantanal e inclusão social

Games digitais desenvolvidos na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) estão sendo usados como ferramentas de educação ambiental, acessibilidade, inclusão social e pesquisa científica. A iniciativa é conduzida pelo Ledes (Laboratório de Engenharia de Software), da Facom (Faculdade de Computação), em Campo Grande, e reúne estudantes e professores em projetos que vão além do entretenimento.

Os jogos criados pelo grupo abordam temas como preservação do Pantanal e do Cerrado, inclusão de pessoas cegas, valorização de mulheres e educação em saúde. Segundo o coordenador do projeto, Ricardo Theis Geraldi, o trabalho combina extensão universitária e pesquisa científica para desenvolver soluções voltadas a problemas reais da sociedade.

Entre os projetos em destaque está o game Pantanal World, voltado ao público infantojuvenil. O jogo apresenta cenários inspirados no Pantanal e no Cerrado e permite interação com mais de 27 espécies de animais. Além da temática ambiental, o game também trabalha a alfabetização, o letramento e a escrita, com níveis adaptáveis de dificuldade. O projeto já foi indicado à premiação da trilha da COP-15 (15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres) durante o Integra 2025 da UFMS.

Outro destaque é o Theseus’ Odyssey, jogo inspirado no mito grego de Teseu e criado com foco em acessibilidade para pessoas cegas. O jogo utiliza recursos sonoros para permitir autonomia ao jogador e propõe desafios estratégicos ao longo da narrativa.

A iniciativa começou em 2024 a partir de dois estudantes da Facom, Gilvan Júnior e Miguel Albuquerque, que desenvolveram os primeiros protótipos dos jogos Museu das Mulheres (Des)conhecidas e Pantanal World. Com o avanço do projeto, outros estudantes passaram a integrar o grupo em áreas como arte, design e som.

Em 2025, o projeto ganhou estrutura institucional própria, com ações de pesquisa e extensão, além da participação em eventos nacionais e internacionais da área de games. Professores da Computação, Artes, Comunicação e Meio Ambiente também passaram a colaborar nas produções.

Segundo a assessoria de imprensa da UFMS, além do desenvolvimento tecnológico, o grupo busca fortalecer o mercado de games em Mato Grosso do Sul. Segundo Ricardo Theis, o setor ainda enfrenta carência de investimentos e mão de obra especializada no Brasil. O projeto pretende buscar recursos para ampliar os jogos e competir em escala internacional.

O coordenador afirma que os games podem funcionar como ferramentas de aprendizado e conscientização por permitirem interação direta do público com os temas abordados. A proposta é transformar os jogos em experiências imersivas capazes de estimular reflexão sobre questões ambientais, sociais e culturais.

Atualmente, o Pantanal World já está disponível para download na Play Store. Outros jogos produzidos pelo grupo podem ser acessados pela página oficial do projeto. O laboratório também planeja lançar novos títulos, incluindo uma versão 3D do Pantanal World e games voltados à educação no trânsito e à área da saúde.