domingo, 30 de novembro de 2025
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Fraudes de milhões no Samu de Goiânia resultam em prisão

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[email protected] EM 28 DE NOVEMBRO DE 2025, ÀS 13:18

Operação Investiga Desvios no SAMU em Goiânia

A Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal (PF) iniciaram nesta sexta-feira, 28, a Operação Check-up 192, que investiga graves irregularidades no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Goiânia. As apurações indicam que, entre 2022 e 2024, sob a gestão do prefeito Rogério Cruz, recursos públicos destinados à frota de ambulâncias foram usados de maneira inadequada, com práticas fraudulentas que incluíam a simulação de serviços e o registro de despesas fictícias.

Os investigadores apontam que o montante do desvio pode ser na casa dos milhões de reais. Entre os problemas identificados estão superfaturamento, uso de serviços de oficinas clandestinas e a emissão de notas fiscais falsas. Um servidor municipal foi preso temporariamente, sendo considerado um dos principais envolvidos no esquema.

O delegado da PF, André Monteiro, explicou que, nos contratos de 2022 a 2024, havia previsão para 8 milhões de reais, mas já se identificaram pelo menos 2,4 milhões gastos de maneira irregular relacionados às ambulâncias do Samu. O servidor detido atuava diretamente na gestão das viaturas e na contratação de serviços fraudulentos. A PF destacou que a prisão tem como objetivo evitar a destruição de documentos e garantir que o implicado não interfira nas investigações.

Autuação e Dificuldades no Atendimento

Durante a operação, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, sete em Goiânia e dois em Aparecida de Goiânia. Os alvos incluíram servidores da Prefeitura, empresários e indivíduos que supostamente viabilizaram um esquema de justificativas para gastos que não aconteceram com a manutenção da frota.

A CGU relatou que o grupo registrava serviços de manutenção que nunca foram realizados. Isso incluiu situações onde ambulâncias ficavam paradas por longos períodos, mas continuavam aparecendo como ativas em registros oficiais, resultando em despesas que não condizem com a realidade. Susana Kroehling, representante da CGU, afirmou que há indícios claros de desvio de recursos que deveriam ser usados para atendimento de urgência.

A situação do serviço piorou consideravelmente em 2024. Em julho, uma internal leak revelou que apenas cinco ambulâncias estavam em operação, número muito abaixo do necessário para atender à população de Goiânia, mesmo que a Secretaria Municipal de Saúde informasse que sete ambulâncias estavam ativas.

Trabalhadores do Samu relataram uma crescente sobrecarga de trabalho, falta de manutenção e abandono da frota. Um deles, que preferiu se manter anônimo, comentou que há condições de trabalho, mas ressaltou a necessidade urgente de consertos.

Impacto Financeiro e Responsabilidades

A CGU está avaliando os danos financeiros resultantes desse esquema e já prevê que os desvios podem ser altos, levando em conta o número de notas fiscais suspeitas e o tempo em que as irregularidades perduraram.

A PF também procura identificar todos os envolvidos, desde os responsáveis diretos até possíveis beneficiários das fraudes. A garantia de que os recursos do Samu sejam aplicados corretamente é uma das principais prioridades.

Ações Futuras

Documentos, computadores e celulares foram apreendidos para auxiliar nas investigações. O servidor preso será ouvido nos próximos dias, e a possível conversão da prisão provisória em preventiva vai depender de novas evidências.

A Prefeitura de Goiânia será notificada e deverá prestar esclarecimentos sobre as irregularidades identificadas, podendo enfrentar responsabilidades administrativas, caso as suspeitas sejam confirmadas.

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