28/03/2026
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Físico do acidente do Césio-137 em Goiânia

O acidente com Césio-137 em Goiânia, ocorrido em setembro de 1987, é considerado o maior episódio radioativo do Brasil em tempos de paz. A identificação da origem da contaminação foi um passo decisivo para conter sua disseminação e tratar as vítimas.

O físico responsável por reconhecer a natureza do material radioativo foi Walter Mendes Ferreira, na época professor do Instituto de Física da Universidade Federal de Goiás (UFG). Ele foi acionado por um médico do hospital onde as primeiras vítimas foram internadas com sintomas misteriosos.

O médico, desconfiado dos sintomas apresentados, levou um fragmento do material brilhante que os pacientes tinham em casa para análise. Walter Ferreira, ao realizar testes com um detector Geiger, constatou que a peça emitia níveis altíssimos de radiação.

Foi ele quem alertou as autoridades de que se tratava de césio-137, um elemento radioativo perigoso. Sua rápida identificação permitiu que as equipes de emergência fossem mobilizadas para isolar a fonte e iniciar os trabalhos de descontaminação na cidade.

O acidente começou quando dois catadores de materiais recicláveis encontraram uma unidade de radioterapia abandonada em um instituto médico desativado. Eles retiraram uma peça de chumbo que continha o pó radioativo e a venderam a um ferro-velho. O material, que brilhava com uma cor azulada, despertou a curiosidade de muitas pessoas, que o compartilharam com familiares e amigos.

Como consequência, centenas de pessoas foram expostas à radiação. O episódio resultou em quatro mortes diretas, entre elas a de uma criança de 6 anos, e deixou um legado de problemas de saúde para muitos sobreviventes. A descontaminação de áreas da cidade foi um processo longo e complexo.

O trabalho de Walter Ferreira e de outros profissionais da área da saúde e da física foi fundamental para evitar que o desastre tivesse proporções ainda maiores. A atuação desses especialistas permitiu um primeiro entendimento da gravidade da situação e direcionou as ações de resposta à emergência.

A tragédia de Goiânia levou à criação de normas mais rigorosas para o controle e a guarda de fontes radioativas no Brasil. O caso é estudado internacionalmente como um exemplo dos riscos do manejo inadequado de materiais radiológicos.