O milho tem ganhado cada vez mais destaque na produção de etanol em Goiás, passando de um papel secundário na ração animal para uma posição estratégica no setor energético. Segundo dados recentes, o uso do milho para a produção de etanol no estado cresceu impressionantes 266% desde a safra 2018/2019. Naquela época, o milho representava apenas 3,9% da produção total, enquanto as projeções para a próxima safra indicam que essa participação deve saltar para 14,3%.
Esse crescimento não se limita a Goiás. Em todo o país, a participação do milho na produção nacional de etanol também tem aumentado significativamente, subindo de 2,4% em 2018/2019 para 21,1% nas estimativas para 2024/2025. Essa mudança reafirma o milho como uma alternativa energética viável no cenário brasileiro.
Na região sul de Goiás, sete usinas estão se preparando para ampliar sua capacidade de produção. As localizações das usinas em Chapadão do Céu, Vicentinópolis, Quirinópolis, Acreúna, Jataí e Rio Verde são estratégicas, já que essa área é responsável por 82,1% da produção estadual durante a safra de inverno, garantindo um abastecimento próximo e constante para a indústria de etanol.
No entanto, a situação não é totalmente robusta. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que o início da safra atual está apresentando resultados abaixo do esperado. Até o dia 25 de outubro, apenas 1% da área prevista foi semeada, um número bem inferior aos 10% alcançados no mesmo período do ano anterior e também abaixo da média dos últimos cinco anos.
Em termos de comércio exterior, Goiás teve um desempenho positivo com as exportações de milho, alcançando US$ 178,9 milhões apenas em setembro. No total acumulado de janeiro a setembro, o estado exportou 2,7 milhões de toneladas do cereal, resultando em uma receita de US$ 564,6 milhões. Isso representa um aumento de 50% na receita e 45,7% no volume em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Esse cenário destaca a importância crescente do milho tanto na produção de etanol quanto nas exportações, refletindo mudanças no setor agrícola e energético de Goiás e do Brasil.