29/03/2026
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Césio-137 leva Brasil a piores acidentes radioativos

Um acidente com césio-137 ocorrido em Goiânia em 1987 colocou o Brasil entre os piores desastres radioativos do mundo. O episódio começou quando dois catadores de material reciclável encontraram uma peça de equipamento médico abandonada em um antigo instituto de radioterapia.

O aparelho continha uma cápsula com cloreto de césio-137, um material altamente radioativo. Sem conhecer o perigo, os homens desmontaram o equipamento e levaram a cápsula para casa. A substância brilhante e azulada chamou a atenção e foi distribuída para familiares e conhecidos.

Nos dias seguintes, as pessoas que tiveram contato direto com o material começaram a apresentar sintomas graves como queimaduras, náuseas e diarreia. Apenas quando uma das vítimas levou um pedaço do material até um hospital, a contaminação radioativa foi identificada.

As autoridades foram acionadas e iniciaram uma grande operação para conter a contaminação. Várias casas foram evacuadas e demolidas. Centenas de pessoas foram monitoradas e muitas precisaram de tratamento médico. Quatro pessoas morreram em decorrência da exposição à radiação.

O acidente de Goiânia é considerado um dos mais graves envolvendo uma fonte radioativa fora do controle de instalações nucleares. O episódio expôs falhas na regulamentação e no descarte de materiais radioativos no país. O local do desastre passou por uma extensa descontaminação.

O evento gerou um grande impacto na saúde pública e no meio ambiente da região. Toneladas de lixo radioativo foram removidas e armazenadas em um depósito especialmente construído. O caso serviu como alerta para a necessidade de controles mais rígidos sobre fontes de radiação em todo o mundo.

Passados mais de trinta anos, o acidente ainda é estudado por especialistas em radioproteção. As lições aprendidas em Goiânia influenciaram normas de segurança em vários países. O local onde ficava o instituto médico hoje abriga um memorial em homenagem às vítimas.

A história do césio-137 em Goiânia mostra como o manuseio inadequado de materiais perigosos pode ter consequências graves. O episódio permanece como um marco na história da segurança nuclear no Brasil e no mundo, frequentemente citado em discussões sobre gestão de riscos tecnológicos.