18/03/2026
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Césio 137 em Goiânia inspira série

O acidente com o césio-137 em Goiânia, em 1987, é considerado um dos maiores desastres radioativos do Brasil. O caso voltou a ser discutido com o lançamento da nova série ‘Emergência Radioativa’, que se inspira nos eventos ocorridos na capital goiana.

Em setembro de 1987, dois catadores de materiais recicláveis encontraram uma peça de equipamento de radioterapia abandonada em um instituto de saúde desativado. Eles retiraram a cápsula que continha o pó brilhante de césio-137, um material altamente radioativo, sem conhecer o perigo.

A substância foi manipulada e repassada para outras pessoas, contaminando dezenas de indivíduos direta e indiretamente. A característica luminosa do pó atraiu a curiosidade de vizinhos e familiares, ampliando o raio de exposição à radiação.

Os primeiros sintomas, como vômitos e queimaduras na pele, começaram a aparecer, mas o diagnóstico correto demorou devido à falta de conhecimento sobre contaminação radioativa na época. A confirmação de que se tratava de um acidente nuclear aconteceu dias depois, quando um físico levou um detector de radiação até o local.

As autoridades foram acionadas e iniciou-se uma grande operação para descontaminar a área e tratar as vítimas. Quatro pessoas morreram em decorrência da exposição aguda à radiação, incluindo uma criança de 6 anos. Centenas de outras foram monitoradas por anos devido à contaminação.

O episódio levou à revisão das normas de segurança para o uso de materiais radioativos no país. Toneladas de material contaminado foram removidas e acondicionadas em depósitos especiais. Até hoje, os rejeitos estão armazenados em um local isolado na cidade de Abadia de Goiás.

O drama humano e as falhas institucionais que marcaram o desastre com o césio-137 serviram de lição para a comunidade internacional sobre os riscos do descarte inadequado de fontes radioativas. A história completa é recontada na nova produção audiovisual, que busca reviver os momentos críticos da tragédia.

O acidente destacou a importância de protocolos rígidos e da educação pública sobre riscos radioativos. O caso de Goiânia segue como um marco na história da saúde pública e da segurança nuclear no Brasil, sendo frequentemente estudado para a prevenção de novos incidentes.