23/05/2026
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Bruno Gagliasso questiona: homens não choram?

Bruno Gagliasso precisou sair de casa enquanto rodava o filme “Por um fio”. A produção, que estreia em outubro e é baseada no livro homônimo de Drauzio Varella, mostra o ator de 44 anos vivendo o irmão do médico, que morre de câncer. Na tela, sua interpretação comove à medida em que a doença avança e ele vai escalando o estado de tristeza. O trabalho mexeu com o corpo — ele perdeu 24 quilos — e com a cabeça, tornando-se uma “manteiga derretida”. Nem a família aguentou. Bruno assume que leva o personagem para casa e, por isso, diretores o definem como “intenso”.

O vasto cardápio de personagens que encarna em diferentes filmes e séries inéditos reitera essa intensidade: líder estudantil no longa “Honestino” (previsto para estrear no segundo semestre); escravocrata moderno em “Corrida dos bichos” (em agosto, na Amazon Prime); versão branca e de olhos azuis do herói nacional em “Makunaíma XXI” (no final do ano, na telona); perigoso dono de construtora na série “Rauls” (no fim do ano, na Netflix); e playboy traficante da sétima temporada de “Impuros” (em 2027, na Disney+).

Bruno participou do “Conversa vai, conversa vem”, videocast do GLOBO, que foi ao ar no dia 21 de maio. Sobre a preparação para “Por um fio”, ele afirmou: “Olhar para os meus filhos foi dolorido. Eu chorava muito. Estava insuportável. Queria abraçar e beijar eles o tempo inteiro”. Ele disse que não tinha como não ir fundo na história, que mostra a fragilidade da vida.

O ator comentou sobre a transição entre papéis de universos tão diferentes. Para ele, está tudo dentro da gente. “Procuro existir e não atuar”, disse. Ele admite que leva o personagem para casa e não sabe separar o trabalho. “Preciso ficar pensando nele 24 horas”, afirmou.

Sobre sua primeira produção no cinema, “Clarice vê estrelas”, ele disse que tem a ver com sua filha Titi. Bruno é pai de Bless e Zyan também. “Fiz esse filme pra ela. Colocar uma menina preta como protagonista… É a história de uma família preta, de classe média, com 80% do elenco e 90% da equipe preta”, explicou.

Ele classificou o longa como um filme antirracista sem falar sobre racismo. “Botar essa criança preta para sonhar, mexer no imaginário e não para sofrer, passar fome, tomar tiro”, disse. Bruno contou que procurou Vini Jr., que topou entrar como produtor associado na hora.

Bruno também falou sobre a importância de contar a história do líder estudantil Honestino Guimarães, presidente da UNE e desaparecido político. “Se estive do lado da escória da História, também quero estar do lado certo. Honestino morreu 50 anos atrás. E a nossa luta ainda é por justiça, liberdade e democracia até hoje”, afirmou.

O ator comentou sobre o desapego estético em “Honestino” e “Por um fio”. Para ele, ficar feio é um recurso dramatúrgico para fugir do lugar de galã. “Hipocrisia dizer que não. As pessoas te encaixam onde querem e você se deixa ser encaixado ou não”, disse. Ele perdeu protagonistas de novela das oito por não querer fazer o galã.

Sobre a vaidade, Bruno afirmou que a vaidade profissional é maior que a da beleza. “Gosto de estar bonito, estiloso. Mas a partir do momento que interfere no meu trabalho… Quero é estar aqui, com você, falando com orgulho do meu trabalho”, declarou.

Ele falou sobre o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e a hiperatividade. Foi expulso de três escolas e toma remédio desde sempre. “Não decoro texto. Estudo, entendo o sentido. O que adianta falar uma palavra sem alma?”, questionou. Ele disse que não aceita papéis que não quer fazer, mesmo que ganhe uma fortuna.

Bruno afirmou que gosta de dinheiro, mas gosta mais de tempo. “Quero ter tempo para buscar minha filha na escola, levar meu cachorro no veterinário”, disse. Ele se vê mais como investidor e realizador do que empresário.

Por fim, sobre as críticas de progressismo performático, ele respondeu: “Eu vivo o que acredito, essa coerência. Amor não tem CEP. Não escolhi ir para a África para me tornar pai”.