O campo-grandense Bruno Gonçalves Andrade, de 38 anos, usou o bom humor e o orgulho de sua terra para confundir um americano durante uma discussão por causa de uma entrega nos Estados Unidos. Questionado sobre sua origem, ele respondeu em inglês improvisado: “I am from MS”. A sigla não se referia a nenhum estado norte-americano, mas a Mato Grosso do Sul.
A cena foi gravada e viralizou nas redes sociais. Bruno hoje tem cerca de 49 mil seguidores e compartilha o dia a dia como imigrante. Só esse vídeo passou de 1 milhão de visualizações no Instagram.
No vídeo, Bruno contou que o cliente afirmava ter dois pedidos. Ele insistiu que era apenas um. A briga aumentou e o americano quis olhar dentro do carro, onde havia outras encomendas. Bruno respondeu: “No touch my car”, misturando inglês e português. Foi quando o homem perguntou de onde ele era.
“Ele falou que era de US e eu falei: ‘I am from MS’”, relatou Bruno. A resposta deixou o cliente confuso. Ele ainda pediu documentos, e Bruno disse que tinha RG e CPF, o que aumentou a estranheza.
Bruno explicou que a manobra foi para evitar preconceito. “Para não falar que eu era do Brasil, tentei falar MS. Talvez ele não saberia todos os estados dos Estados Unidos e não ia deduzir rápido que eu era imigrante”, afirmou.
Por coincidência, Bruno nasceu na Santa Casa de Campo Grande em 1988, às 8 horas e 8 minutos. Neste ano completa 38 anos. Ele diz amar Mato Grosso do Sul e ter uma história grande no Estado. Morou nos bairros Jardim Aeroporto, José Pereira e Paulo Coelho Machado. Jovem, estudou teologia e foi pastor por anos, inclusive fora do Estado. Na pandemia, enfrentou dificuldades e mudou de vida.
Há quase 4 anos nos EUA, trabalha com entregas e transporte de passageiros por aplicativo. Já atuou na construção civil, pintura e carpintaria. “É um trabalho exaustivo, de segunda a segunda. Quase não folgo. Se você não tem o básico de inglês, passa muito perrengue”, comentou.
Bruno mora com a esposa e o filho mais novo, de três anos. Diz sentir saudade do Brasil, de Campo Grande, da família e da comida caseira. “Sinto bastante falta da culinária do Brasil, da comida da minha mãe, do arroz com frango. Sinto muita falta de poder falar o português do jeito que a gente fala, desse calor humano do brasileiro de estar ali junto”, finalizou.
