O acidente com césio-137 em Goiânia, em 1987, continua sendo o maior desastre radioativo em solo brasileiro. O episódio começou quando um aparelho de radioterapia abandonado foi violado em uma clínica desativada. A contaminação se espalhou pela capital goiana.
Muitas pessoas manipularam o pó brilhante sem conhecer os perigos. O material radioativo foi levado para várias casas. Apenas semanas depois, quando as primeiras vítimas começaram a apresentar sintomas graves, a situação foi descoberta.
As consequências foram graves. Quatro pessoas morreram em decorrência direta da radiação. Dezenas sofreram intoxicação aguda. Centenas foram monitoradas por terem tido contato com o material. Uma grande operação de descontaminação foi realizada na cidade.
Anos depois, o césio-137 voltou a causar preocupação em outra parte do país. Em 2015, um incêndio de grandes proporções atingiu o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, na zona oeste de São Paulo.
O fogo consumiu uma área de mata próxima às instalações. A principal preocupação das autoridades era que as chamas pudessem atingir um depósito de material radioativo. Entre os resíduos armazenados no local, estava parte do césio-137 recolhido após o acidente de Goiânia.
O Corpo de Bombeiros trabalhou com apoio de especialistas em radiação. O plano de contingência para emergências nucleares foi acionado como medida preventiva. Felizmente, o fogo foi controlado antes de chegar ao prédio do depósito.
As medições de radiação no ar feitas durante e após o incêndio não registraram níveis anormais. A situação foi considerada sob controle. O incidente, porém, reacendeu o debate sobre o armazenamento de resíduos radioativos no país.
O material de Goiânia foi inicialmente acondicionado em contêineres específicos em Abadia de Goiás. Posteriormente, parte dos rejeitos foi transferida para instalações em São Paulo. A segurança desses depósitos é monitorada continuamente.
Os dois episódios, separados por quase três décadas, mostram os riscos duradouros associados a materiais radioativos. Eles também destacam a importância de protocolos rígidos de segurança e de planos de emergência atualizados para prevenir novos acidentes.
