Maria Aparecida Melo Miranda, de 79 anos, decidiu aprender crochê. Dona Cida, como é conhecida, participou da primeira edição do Café com Crochê, evento realizado em uma cafeteria de Campo Grande. A ideia do encontro é afastar as pessoas das telas e das redes sociais.
A professora aposentada do ensino fundamental aprendeu alguns pontos na infância com a avó, mas nunca passou das correntinhas. “Estou muito feliz de estar participando porque minha avó me ensinou quando era criança a fazer correntinha. Eu fazia metros e metros mas não passei disso. Vim porque quero aprender a fazer crochê de verdade”, disse.
O crochê desapareceu da rotina de dona Cida depois da infância. A mãe dela fazia peças, mas não gostava de ensinar. “Ela não gostava muito de ensinar porque eu atrapalhava muito”, brincou. O convite para o evento foi um motivo para sair de casa e encontrar pessoas. Natural de Bela Vista, ela mora há anos em Campo Grande e trabalhou nas escolas estaduais São Francisco e Severino de Queiroz.
As aulas foram dadas por Juliana Ferreira, de 35 anos. Ela começou no crochê aos 6 anos. Para Juliana, o maior obstáculo hoje não é aprender os pontos, mas a ansiedade gerada pelas redes sociais. “A gente enfrenta atualmente a questão de performar bem. Começam a fazer e já querem sair com negócio pronto logo no começo, sem ter um processo”, afirmou.
Pós-graduada em moda, Juliana destacou que o crochê voltou a ganhar espaço além dos tapetes e panos de prato. “Ele sempre esteve em paralelo ao universo da moda e agora tem destaque nas passarelas nacionais e internacionais”, disse.
Fora das telas
Anne Barros, de 37 anos, organizou o projeto “Desliga Cria – Café com Crochê”. Ela percebeu que as pessoas estão cansadas de viver conectadas. “Eu percebo que o celular hoje em dia, as redes sociais, roubam bastante o nosso tempo”, afirmou.
Anne conheceu Juliana em um workshop e viu espaço para criar encontros presenciais focados em atividades manuais. A proposta é simples: poucas vagas, café, conversa e celulares esquecidos sobre a mesa. “A gente precisa buscar uma vida mais equilibrada”, disse Anne.
A primeira edição teve 35 inscrições. A aula durou das 14h às 17h e o investimento foi de R$ 110. As vagas acabaram rapidamente. A próxima edição está marcada para 27 de junho. A ideia é circular por cafeterias da cidade e continuar apresentando hobbies manuais para quem quer desacelerar.
