16/01/2026
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A cor dos sonhos: o que a ciência revela sobre o fenômeno

A Cor dos Sonhos: Como Funcionam Nossos Sonhos e Seus Mistérios

Sonhar é uma experiência comum a todos, mas ainda envolve diversos mistérios. Algumas pessoas relatam sonhos cheios de cores vibrantes e cenários detalhados, enquanto outras se lembram de sonhos em preto e branco ou em tons mais suaves. Essa diferença não é aleatória e está ligada ao funcionamento do cérebro durante a noite e ao ciclo do sono.

Os sonhos são moldados pelas experiências de vida de cada um, suas memórias e também por influências culturais. Fatores externos, como a qualidade do sono, uso de medicamentos e problemas respiratórios durante a noite, podem afetar como lembramos dos sonhos e se percebemos cores neles. Por isso, estudar os sonhos é uma forma de aprender mais sobre a atividade cerebral enquanto descansamos.

Por Que Nem Todos Sonham em Cores?

Embora seja uma crença comum que todos sonham em cores, isso não é verdade. A fase do sono conhecida como REM (Movimento Rápido dos Olhos) é onde ocorrem os sonhos mais vívidos. Durante essa fase, a atividade cerebral é intensa, quase como quando estamos acordados. Essa atividade elétrica ajuda na criação de sonhos mais bem elaborados, nos quais nossos sentidos, incluindo a visão, parecem estar ativos.

Gleison Guimarães, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, explica que quem reporta mais sonhos coloridos geralmente tem um sono REM de boa qualidade, o que significa que seus ciclos de sono não são interrompidos. Assim, mesmo que não durmam por muitas horas, conseguem repor o sono de maneira eficaz.

O neurocientista André Leão, que trabalha em São Paulo, acrescenta que o cérebro pode criar imagens mesmo sem estímulos externos. Ele ativa áreas específicas que funcionam como estúdios internos de criação, reproduzindo cores a partir de memórias visuais. Ou seja, as cores nos sonhos não são geradas do zero, mas reconstruídas a partir de experiências passadas.

A Relação entre Cores e Sonhos

A presença ou ausência de cores nos sonhos depende das áreas do cérebro que são ativadas. Sonhos coloridos envolvem harmonia e complexidade nas áreas visuais que processam cores, enquanto sonhos em preto e branco usam circuitos básicos que lidam apenas com formas e contrastes simples.

O ambiente em que vivemos também impacta nossos sonhos. Por exemplo, quando a televisão era predominantemente em preto e branco, mais pessoas relatavam sonhar sem cores. Hoje, com a popularização de recursos visuais coloridos, muitos sonham em cores.

Além disso, a capacidade de sonhar em cores varia conforme as experiências visuais de cada um. Pessoas que nasceram cegas não têm sonhos coloridos por nunca terem visto cores. Já aqueles que perderam a visão ao longo da vida continuam sonhando com cores, pois mantêm registros visuais em suas memórias. Pessoas daltônicas sonham nas cores que conseguem perceber.

Fatores que Podem Alterar os Sonhos

Além do funcionamento cerebral, diversos fatores externos influenciam nossos sonhos. Guimarães observa que medicamentos que afetam o sistema nervoso central, como antidepressivos e ansiolíticos, podem modificar o sono. O consumo de álcool costuma fragmentar a fase do sono REM, enquanto a cafeína em excesso também pode impactar a lembrança dos sonhos.

Condições como insônia e apneia estão ligadas à redução do sono REM, resultando em sonhos mais curtos, com menos detalhes e cores. Muitas pessoas nessas situações relatam até a ausência de recordação dos sonhos.

Para quem deseja lembrar melhor de seus sonhos, profissionais recomendam hábitos saudáveis de sono. Dormir e acordar em horários regulares, evitar o uso de telas antes de dormir e manter o ambiente escuro e silencioso são práticas que favorecem a recordação. Além disso, anotar os sonhos logo ao acordar pode aumentar as chances de lembrar até mesmo das cores.

Por fim, o sonho continua sendo um campo fascinante para a ciência, ajudando a desvendar os mistérios do nosso cérebro e do comportamento humano.