Uma nova fase na vida de uma nova-iorquina
Sou uma nova-iorquina de terceira geração e nunca imaginei que deixaria a cidade onde tudo parecia acontecer. Nova York sempre foi o lugar onde consegui trabalhar como dramaturga, performer e professora de xadrez. Sempre que meus amigos decidiam se mudar, eu pensava que tal escolha era uma falha, me orgulhando da minha resiliência.
No entanto, com a pandemia de COVID-19, os teatros e escolas fecharam, e acabei sem trabalho e sem casa aos 38 anos. Desesperada, decidi me inscrever em uma residência artística em uma fazenda de burros numa pequena cidade rural no Tennessee. Fui aceita e planejei economizar dinheiro, escrever minha peça e voltar para Nova York em poucos meses.
Para minha surpresa, acabei me apaixonando pela pequena cidade e decidi ficar lá com meu marido e filha. Já se passaram três anos e estamos felizes na nova vida.
Aproveitando a natureza e a cultura nas proximidades
Moramos em uma cabana off-grid, cuidando de acres de terra para as proprietárias em troca de um aluguel reduzido. Isso nos permite passar mais tempo ao ar livre, e cuidar do nosso jardim se tornou uma atividade divertida que envolve toda a família. Eu valorizo a independência que a proximidade da natureza oferece para minha filha. Porém, à medida que ela cresce, quero compartilhar a cultura que minha mãe me trouxe em Nova York, como visitar museus, livrarias, concertos e teatros.
Felizmente, estamos a menos de duas horas de Nashville, que possui uma cena cultural vibrante e diversas opções de entretenimento. Isso me tranquiliza e me proporciona momentos agradáveis quando sinto falta de casa. Descobri que prefiro viver em um lugar menor, onde as opções são limitadas. Não sinto falta da constante invasão de anúncios digitais, que encontramos por toda parte em uma cidade grande.
Aqui, sinto que as tomadas de decisão são simplificadas, o que me permite estar mais presente com minha família e focar no desenvolvimento da minha carreira artística.
Desafios e adaptações na vida rural
No entanto, viver em uma cidade pequena também apresenta desafios. Por exemplo, não conseguimos pedir uma pizza para ser entregue na nossa cabana no meio da floresta. Essa situação me fez descobrir que, além das dificuldades, eu realmente gosto de cozinhar, e minha filha também se diverte na cozinha.
Sinto falta de morar em uma cidade onde é fácil andar a pé, mas aprendi a dirigir e a nos adaptar. Embora as opções de atividades para crianças sejam escassas – a maioria das aulas de ginástica, música e arte fica a 40 minutos de carro de casa – temos muito espaço para nos divertir. Meu marido construiu um grande circuito de obstáculos para nossa filha no nosso amplo quintal.
Além disso, conseguir um emprego na região tem se mostrado complicado, mas isso me motivou a empreender. Há pouco mais de um ano, abri uma empresa de consultoria para projetos e comecei a escrever histórias freelancer. Hoje, meu “trajeto” para o trabalho é ir até minha cabana, construída por meu marido, a poucos passos de casa.
A importância de sair da zona de conforto
Sinto que, se não fosse pela pandemia, talvez não tivesse feito essa mudança em minha vida. No entanto, estou grata por ter abraçado essa nova fase, que me ensinou a valorizar o que realmente importa: passar tempo rodeada por pessoas que amo e criar arte em um ambiente natural.
Muitas pessoas de Nova York podem achar que eu não consigo “dar conta” da vida na cidade, e podem até estar certas! Mas percebo agora que o segredo para uma vida plena estava fora da minha zona de conforto. Agradeço muito pelo tempo em Nova York, mas prefiro as manhãs na nossa colina, observando o nascer do sol, do que passar por apuros tentando encontrar um lugar no trem lotado da cidade.