Mais de um bilhão de pessoas usam o Google Maps todo mês para se locomover pelo mundo. Seja para desvios no trânsito ou para achar um restaurante, ele se tornou a forma padrão de como vivemos e interagimos com o ambiente ao nosso redor. Mas e se essa ferramenta que utilizamos tanto faz mais do que apenas nos levar de um ponto A a um ponto B?
Mudanças recentes, como renomear o “Golfo do México” para “Golfo da América” e retornar “Monte Denali” ao antigo nome de “Monte McKinley”, causaram polêmica. Esses ajustes não aconteceram à toa; eles vêm de diretrizes políticas. Contudo, não são apenas as mudanças de nome que têm feito as pessoas questionarem a ferramenta. O fato de que o Google está deletando críticas negativas relacionadas a essas mudanças também levanta preocupações.
Trocar nomes em um mapa pode parecer algo simples, mas alguns estudiosos afirmam que isso pode ter um significado muito maior. Isso poderia ser uma forma de manipulação. A pergunta é: até que ponto o Google Maps pode nos influenciar?
Para entender isso melhor, é necessário analisar todas as evidências. Essa ideia está ligada a um conceito chamado cognição estendida. Proposto no final dos anos 90, ele sugere que nossas ferramentas, especialmente as digitais, se tornam parte do nosso processo de pensamento. Por exemplo, o seu celular não ajuda apenas a lembrar para onde você está indo; ele se torna uma extensão da sua memória. Com o tempo, ele substitui funções mentais essenciais, como recordar, raciocinar espacialmente e tomar decisões.
Estamos vendo como isso já impacta os humanos devido ao efeito da IA nas habilidades de pensamento crítico. Por isso, não é tão difícil acreditar que o Google Maps pode ter um papel na nossa forma de pensar. Alguns pesquisadores argumentam que se o aplicativo é uma extensão do nosso processo de pensamento, mudanças feitas sem que nós notemos não alteram apenas o app — elas também mudam a nossa percepção.
É crucial considerar esse aspecto. A maioria das pessoas sabe que o “Golfo da América” costumava ser chamado de “Golfo do México”. Mas, tem muita gente que não curte essa mudança e a considera um desperdício de tempo. O pior é que, com o Google apagando as resenhas que falam mal dessa troca, fica a impressão de que todos estão aceitando numa boa.
Pense um pouco. Você dá uma olhada no seu mapa e vê “Golfo da América”. Primeiro, você questiona aquilo. Depois, sua mente aceita. A partir daí, você repete essa informação. Isso não é algo apenas persuasivo; é o que os cientistas chamam de influência passiva. E é aí que a linha entre a tecnologia útil e a manipulação começa a se confundir, segundo a pesquisa.
A preocupação não está só no renomear locais icônicos no mapa. O verdadeiro problema é quem tem o poder de controlar a maneira como você percebe o mundo. Quando as plataformas das quais dependemos para entender o mundo começam a editar esse mundo, mesmo que de forma sutil, deixamos de ter total controle sobre a nossa percepção. Na visão de especialistas em ética digital, isso não é apenas orientação — é coerção disfarçada de conveniência.
À medida que os smartphones se tornam extensões de nossas mentes, afirmar que o Google Maps pode influenciar seus usuários é um ponto importante a se discutir. Isso ressalta uma questão que todos nós devemos ter em mente: é fácil delegar o ato de pensar para a tecnologia, mas também é simples esquecer quem realmente está fazendo esse pensamento por nós.
Essa situação mostra como estamos cada vez mais parcialmente no controle do que pensamos e aceitamos. Em um momento em que as informações estão na palma da mão, ser crítico e questionar a fonte é mais importante do que nunca.
Muitas pessoas confiam cegamente nas informações que o Google fornece, sem perceber que essa confiança pode ser manipuladora. A funcionalidade do Google Maps traz facilidades, mas é fundamental ficar atento às mudanças que podem não ser tão neutras assim.
Vale refletir: até que ponto somos influenciados na nossa forma de pensar e atuar no cotidiano? Com tantas mudanças acontecendo nos serviços que usamos, poderá ser que a nossa visão de mundo esteja sendo moldada de forma que nem percebemos. Esse é um tema para ser discutido em nossa sociedade.
Criar consciência sobre o uso de mapas digitais e as implicações que eles têm na maneira como interagimos e pensamos é vital. A tecnologia deve servir para nos ajudar e não para nos manipular. Portanto, seja crítico e busque sempre entender o que está por trás das informações que você consome.
Por fim, é notável como a tecnologia pode facilitar nossa vida e, ao mesmo tempo, ser uma armadilha. Ao usar aplicativos como o Google Maps, vale lembrar que a forma como a informação é apresentada pode moldar não só a nossa experiência, mas também a nossa memória e percepção do mundo ao nosso redor.