05/04/2026
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Césio-137 em Goiânia: quem foi responsabilizado?

O acidente com césio-137 em Goiânia, ocorrido em 1987, foi um dos maiores desastres radioativos do Brasil. As investigações apontaram responsabilidades compartilhadas entre diferentes partes.

Os dois catadores de sucata que encontraram o aparelho foram inicialmente as vítimas mais diretas. No entanto, a Justiça focou na apuração das responsabilidades técnicas e institucionais pelo abandono do material.

Os proprietários da clínica de radiologia abandonada, onde o equipamento médico contendo a fonte radioativa ficou, foram considerados responsáveis. Eles foram acusados de deixar o material sem a guarda e segurança devidas.

O físico que trabalhou na clínica também foi processado. A acusação era de que ele tinha conhecimento técnico sobre os perigos do césio-137 e não tomou as providências para seu descarte seguro.

O Instituto Goiano de Radioterapia, responsável pelo aparelho, enfrentou processos por negligência. A empresa foi acusada de não seguir as normas de proteção radiológica ao desativar suas atividades.

Em nível institucional, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) também foi criticada. Relatórios apontaram falhas na fiscalização de materiais radioativos na época do acidente.

O caso gerou condenações na esfera criminal e cível. Alguns dos responsáveis receberam penas de prisão, enquanto indenizações foram determinadas para as vítimas e familiares.

O desastre levou a mudanças na legislação brasileira sobre o uso de materiais radioativos. Novas regras de licenciamento, controle e descarte foram implementadas para evitar tragédias similares.

O episódio do césio-137 segue como um marco na história da segurança nuclear no país. Os processos judiciais se estenderam por anos, consolidando entendimentos sobre responsabilidade em catástrofes tecnológicas.