A tradição de comer bacalhau no domingo de Páscoa no Brasil é um desvio em relação à prática comum em outros países cristãos. Em muitas nações, a data marca o fim do jejum da Quaresma, com refeições baseadas em carnes.
Originalmente, as regras do jejum cristão eram mais rígidas, mas foram sendo relaxadas ao longo do tempo. A restrição passou a ser basicamente o consumo de peixe na Sexta-Feira Santa.
No Brasil, no entanto, a celebração da Sexta-Feira da Paixão já envolve grandes quantidades de bacalhau e vinho. Isso faz com que, no domingo de Páscoa, perca-se o simbolismo de voltar a comer carne como sinal de mudança de espírito.
Como não há uma proibição, o bacalhau permanece como prato principal no domingo de Páscoa para muitas famílias brasileiras. Um exemplo dessa adaptação cultural é uma receita criada no Rio de Janeiro.
Toninho Laffargue, do Bar do Momo, criou um prato chamado bolovo de Páscoa. A receita consiste em um ovo cozido coberto por uma massa de bolinho de bacalhau.
A receita rende aproximadamente 15 unidades e seu preparo leva cerca de duas horas. Os ingredientes principais são um quilo de batata asterix, meio quilo de bacalhau já dessalgado, azeite, gemas, salsa, ovos, vinagre e óleo para fritar.
O preparo começa cozinhando a batata e o bacalhau juntos. Depois, o peixe é reservado e as batatas são amassadas até virarem um purê. O bacalhau é desfiado, sem pele e espinhas, e misturado ao purê com azeite e temperos.
Essa massa deve ir à geladeira por uma hora. Após esfriar, são adicionadas as gemas e a salsa picada. Enquanto isso, ovos são cozidos por cinco minutos em água com vinagre e depois descascados.
Cada ovo cozido é envolto em cerca de 80 gramas da massa de bacalhau. Os bolovos são então fritos em óleo quente até ficarem dourados e escorridos em papel absorvente. O prato é servido como uma opção para a refeição de Páscoa.
