31/03/2026
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Vítimas do Césio-137 em Goiânia: destino

O acidente com o césio-137 em Goiânia, ocorrido em setembro de 1987, continua sendo um dos maiores desastres radiológicos do mundo. O material radioativo foi encontrado dentro de uma máquina de radioterapia abandonada em um instituto médico desativado.

Dois catadores de papel, Roberto dos Santos Alves e Wagner Mota Pereira, retiraram o aparelho e o venderam a um ferro-velho. Lá, o dono do local, Devair Alves Ferreira, quebrou a cápsula que continha o pó brilhante de césio-137, espalhando a contaminação.

A substância radioativa chamou a atenção pela luminescência azulada. Muitas pessoas tiveram contato direto com o material, pintando-o na pele e compartilhando-o com familiares e amigos. Apenas dias depois, os primeiros sintomas de contaminação radioativa começaram a aparecer.

Entre as principais vítimas estava Maria Gabriela Ferreira, esposa de Devair. Ela foi uma das mais expostas ao manusear o pó e ficar em ambientes contaminados. Ela foi internada e veio a falecer em outubro de 1987, sendo uma das primeiras mortes confirmadas.

Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, filha de um funcionário do ferro-velho, também teve contato intenso com o material. Ela chegou a ingerir partículas do césio-137. A menina foi transferida para o Rio de Janeiro, mas não resistiu e faleceu em outubro daquele ano. Seu corpo foi enterrado em um caixão de chumbo.

O próprio Devair Alves Ferreira, que inicialmente teve os sintomas subestimados, também adoeceu gravemente. Ele sobreviveu ao incidente inicial, mas enfrentou sérios problemas de saúde por anos, incluindo complicações nos rins e no sistema imunológico. Devair faleceu em 1994, devido a complicações relacionadas à contaminação.

Centenas de outras pessoas foram afetadas. Muitas sofreram queimaduras graves, síndrome aguda da radiação e desenvolveram doenças a longo prazo. O atendimento às vítimas mobilizou autoridades de saúde e especialistas em todo o país.

O processo de descontaminação foi complexo e durou meses. Toneladas de lixo radioativo foram removidas e armazenadas. O episódio levou a uma revisão das normas de segurança nuclear e radiológica no Brasil. A cidade de Goiânia mantém um marco para lembrar as vítimas do acidente.

As consequências do acidente com o césio-137 se estenderam por décadas. Além das mortes imediatas, muitos sobreviventes enfrentaram monitoramento médico contínuo, estigma social e problemas psicológicos. O caso é estudado internacionalmente como referência em resposta a emergências radiológicas.

A história do acidente serviu para alertar sobre os perigos de fontes radioativas abandonadas. A legislação brasileira para o controle de materiais radioativos foi fortalecida após o evento. A memória do que aconteceu em Goiânia em 1987 permanece como uma lição sobre os riscos da radiação.