Um advogado de Goiás afirma que prisioneiros de guerra da Alemanha nazista participaram da construção do Bairro Santo Antônio, em Goiânia. A informação é baseada em documentos históricos e relatos que estão sendo coletados.
Segundo o profissional, a mão de obra dos soldados alemães capturados pelos aliados foi utilizada em obras de infraestrutura no Brasil durante e após a Segunda Guerra Mundial. O bairro em questão começou a ser urbanizado na década de 1940.
O advogado busca agora um reconhecimento oficial sobre esse capítulo da história local. Ele estuda a possibilidade de entrar com pedidos junto a órgãos municipais e estaduais para que a participação dos prisioneiros seja incluída no registro histórico do bairro.
Essa situação não era incomum para a época. Após o fim da guerra, muitos países que abrigaram prisioneiros os empregaram em serviços públicos e construções. O Brasil recebeu um número considerável desses detentos, que ficavam em campos de internamento.
Em Goiás, a principal unidade era o Campo de Internação de Pirenópolis, que abrigava centenas de prisioneiros do Eixo. Eles eram frequentemente deslocados para trabalhar em fazendas ou em obras públicas nas cidades próximas, como a então nova capital, Goiânia.
A construção do Bairro Santo Antônio faz parte do processo de expansão planejada de Goiânia. A região era um dos setores destinados à moradia para a população que chegava com a transferência da capital estadual. A mão de obra especializada era escassa naquele período.
A utilização de prisioneiros de guerra é um detalhe que não costuma aparecer nos registros oficiais da cidade. Pesquisadores e historiadores locais já haviam mencionado essa possibilidade em estudos anteriores, mas sem um destaque específico para um bairro.
A iniciativa do advogado visa resgatar essa memória e trazer à tona uma parte pouco conhecida do desenvolvimento urbano de Goiânia. O trabalho envolve a localização de antigos moradores que possam ter testemunhado os fatos ou ouvido relatos de familiares.
Documentos oficiais da Força Expedicionária Brasileira e registros do próprio Exército brasileiro daquela época são citados como fontes para comprovar a presença e a atividade dos prisioneiros no estado. A pesquisa continua em arquivos históricos.
Até o momento, não houve um posicionamento formal da prefeitura de Goiânia sobre o assunto. A questão aguarda um maior aprofundamento dos estudos e a apresentação formal das evidências coletadas pelo advogado e sua equipe.
