A Rússia deu um passo significativo na luta contra o câncer ao iniciar a seleção dos primeiros pacientes para receber uma vacina personalizada contra o câncer de cólon. Este avanço foi anunciado como um marco na imunoterapia oncológica, com a vacina, chamada Oncopept, recebendo autorização para uso clínico pelo Ministério da Saúde russo no final de novembro.
A declaração foi feita por Veronika Skvortsova, chefe da Agência Médico-Biológica Federal (FMBA). Em um movimento paralelo, o Centro Nacional de Pesquisa em Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya revelou a produção dos três primeiros lotes de validação de uma vacina oncológica baseada em tecnologia de mRNA, denominada NeoOnkovac.
O tratamento proposto é individualizado. O material genético do tumor do paciente, obtido por meio de cirurgia ou biópsia, é analisado para identificar mutações específicas das células cancerígenas. Com base nesse mapeamento, uma vacina sob medida é desenvolvida, visando ensinar o sistema imunológico a reconhecer e destruir as células tumorais.
Andrey Kaprin, principal oncologista do Ministério da Saúde da Rússia, enfatiza que as vacinas de mRNA representam uma nova geração de medicamentos biotecnológicos. Ele afirma que o objetivo é reforçar a capacidade do sistema imunológico para identificar e atacar as células cancerígenas, proporcionando uma nova abordagem ao tratamento da doença.
O Instituto Hertsen de Pesquisa em Oncologia recebeu autorização completa para aplicar essa tecnologia, abrangendo desde o diagnóstico até a produção do imunizante e sua administração em humanos. Para suportar essa iniciativa, o governo russo investiu na construção de uma nova fábrica dedicada à produção de vacinas de mRNA no Centro Gamaleya, que já está totalmente equipada e operacional, segundo o diretor da instituição, Alexander Gintsburg.
Além da NeoOnkovac, o uso clínico da Oncopept também foi autorizado, especificamente voltada ao tratamento do câncer colorretal. Apesar do otimismo das autoridades sobre essas tecnologias promissoras, é importante ressaltar que os imunizantes ainda estão em fase clínica, onde sua segurança e eficácia estão sendo avaliadas em pacientes.
Especialistas internacionais reconhecem que terapias personalizadas contra o câncer representam uma das áreas mais avançadas da oncologia moderna. Contudo, a obtenção de resultados definitivos sobre a eficácia das vacinas depende da conclusão de estudos clínicos controlados e da publicação de dados científicos que sejam revisados por pares.
Esse desenvolvimento na Rússia pode sinalizar uma nova era na luta contra o câncer, com a promessa de tratamentos mais eficazes e personalizados. No entanto, a cautela é necessária, uma vez que a validação científica e a segurança dos novos imunizantes são etapas cruciais para sua aceitação e uso em larga escala no combate à doença.
