O girassol vem se destacando nas propriedades rurais de Goiás, especialmente na segunda safra, que é o cultivo realizado após a colheita da safra principal. Para a temporada 2024/25, a produção de girassol no estado está prevista para atingir 74,2 mil toneladas, cultivadas em uma área de 47 mil hectares. Isso resulta em uma produtividade média de 1,5 tonelada por hectare, e as expectativas para a safra 2025/26 são de estabilidade nessa produção.
De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Goiás é responsável por cerca de 70% da produção brasileira de girassol, mantendo-se como o líder nacional na cultura dessa oleaginosa. O secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do estado, Pedro Leonardo Rezende, explica que a adoção de novas tecnologias tem sido fundamental para esse crescimento.
O girassol se adapta bem ao clima do Cerrado e a introdução de variedades geneticamente desenvolvidas para essa região tem melhorado ainda mais sua viabilidade. As sementes de girassol são valiosas, fornecendo óleo para diversos setores, como alimentação, farmacêutico e cosmético, além de serem utilizadas na nutrição animal e na produção de biocombustíveis. Rezende destaca que o cultivo de girassol acarreta benefícios significativos para a rentabilidade dos agricultores, pois suas sementes podem ser utilizadas tanto para alimentação humana quanto animal.
Uma das características que fortalece a competitividade do girassol é sua resistência à falta de água. O cultivo exige aproximadamente 250 milímetros de chuva durante seu ciclo, muito menos do que o milho, que necessita de pelo menos 600 milímetros. O ciclo de crescimento do girassol varia entre 90 e 120 dias, permitindo que os agricultores utilizem a terra de forma mais eficiente e evitem deixar áreas em pousio entre as safras principais.
O manejo adequado do girassol também é benéfico para a recuperação de áreas degradadas. A rotação de culturas, que inclui o girassol, melhora a fertilidade do solo, aumenta o estoque de matéria orgânica e ajuda a quebrar ciclos de pragas e doenças, o que é especialmente vantajoso para as regiões que cultivam soja e milho. Rezende reforça que essa prática é importante para garantir a sustentabilidade das propriedades agrícolas.
Outra vantagem mencionada é a possibilidade de integrar a produção de girassol com outras atividades, como a apicultura. Eweraldo Garcia, um agricultor que cultiva girassol há três anos, começou com 200 hectares e hoje já planta em 800 hectares. Ele destaca que essa cultura requer menos água e é adequada para regiões com baixa pluviosidade. Garcia afirma que o girassol ajuda a descompactar o solo e a reter potássio, aumentando a produtividade do cultivo. Em média, cada hectare gera 30 sacas de 60 quilos, e as sementes são compradas por empresas como a Caramuru Alimentos, a um preço médio de R$ 120 por saca.
Por fim, a produção de girassol no Brasil apresenta sinais de recuperação após uma safra menos abundante em 2022 devido às condições climáticas. Relatórios indicam que a área plantada no país mais que dobrou desde então, com uma produção estimada de 99 mil toneladas e uma produtividade média de 1,6 tonelada por hectare. O girassol também se mostra vantajoso em relação a outras culturas, sendo mais resiliente à seca e com custos mais baixos quando comparado ao milho e ao algodão na segunda safra. Goiás, que é um dos principais estados produtores, concentra suas atividades nas cidades de Silvânia, Ipameri, Rio Verde e Catalão.
