15/02/2026
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Gastronomia de alto padrão transforma hábitos da elite em Goiânia

Gastronomia de alto padrão transforma hábitos da elite em Goiânia

O mercado de alta gastronomia em Goiânia está vivendo um momento de intensa expansão. Restaurantes que oferecem cozinha autoral, estabelecimentos que utilizam ingredientes importados, wine bars sofisticados e menus degustação estão se multiplicando em áreas nobres da cidade, como o Setor Marista, Jardim Goiás e Bueno, além de shoppings como o Flamboyant e o Órion.

Esse crescimento posiciona Goiânia como um novo destino gastronômico e reflete uma mudança no comportamento dos consumidores com maior poder aquisitivo. Eles têm buscado experiências de alto padrão, a ponto de alguns restaurantes terem listas de espera, mesas limitadas e um ticket médio superior a R$ 300 por pessoa. Para muitos, gastar esse valor se tornou um hábito comum de lazer.

Cinco anos atrás, a oferta de alta gastronomia na cidade era escassa, mas o cenário mudou significativamente. Agora, o público encontra uma variedade de cozinhas exclusivas, cardápios intimistas e estabelecimentos que trabalham com ingredientes como wagyu, trufas, caviar e vinhos de safras raras.

O chef Ian Baiocchi é um dos nomes destacados nesse novo panorama. Ele é dono de vários empreendimentos do Grupo Íz, incluindo a 1929 Trattoria, Grá (bistrô francês), Alata (sorveteria artesanal) e o Íz Hotel Conceito, que se destaca como o primeiro restaurant with rooms do Brasil.

Baiocchi define o Íz como um espaço que combina gastronomia, hospedagem e cultura, tendo a hospitalidade como sua essência. Ele destaca que o conceito do restaurante vai além do tradicional, criando uma experiência única que inclui o ato de dormir na própria casa.

O chef ressalta que a evolução do Íz é um reflexo de um processo contínuo e que amadurecer é fundamental. “Quem não se renova acaba ficando para trás”, afirma. Com quase 11 anos de atividade, Baiocchi vê o crescimento do público como paralelo ao desenvolvimento do próprio restaurante.

Ele também discute a identidade do Íz, descrevendo-o como um “organismo vivo” que busca originalidade e criatividade. A proposta dele não é competir com outros estabelecimentos, mas criar um estilo próprio. Como resultado, muitos restaurantes que abriram recentemente na cidade podem ser considerados ramificações do conceito originado no Íz.

Baiocchi enfatiza a importância de utilizar ingredientes locais de forma natural, sem forçar uma narrativa. Segundo ele, o melhor produto é o que vem da proximidade, pois isso garante frescor e produção consciente.

O Instituto Íz também faz parte do complexo, focando no resgate de técnicas culinárias tradicionais que estão em risco de desaparecer. Através de pesquisas e projetos sociais, o instituto busca transformar saberes locais em conhecimento gastronômico acessível.

Sobre a aceitação de menus degustação em Goiânia, o chef afirma que o público é curioso e aberto a novas experiências, um diferencial que molda suas criações. Ele percebe que essa curiosidade do consumidor tem influenciado diretamente suas decisões no cardápio.

O ticket médio dos menus varia de R$ 245 a R$ 635, mas Baiocchi enfatiza que a experiência oferecida é o que está em jogo, não apenas o preço. O menu de entrada, por exemplo, inclui surpresas que não são cobradas à parte, tornando a experiência ainda mais única.

Baiocchi também reflete sobre a relação entre luxo e experiência. Para ele, o consumo de luxo mudou, focando mais em momentos de qualidade do que em ostentação. Essa mudança se reflete no segmento de alta gastronomia, que agora é visto como parte de um estilo de vida mais satisfatório e conectado com a busca pelo bem-estar.

O chef conclui que a busca por experiências gastronômicas sofisticadas está em ascensão, e Goiânia se consolidou como um dos mercados mais exigentes no Brasil nesse segmento. Para ele, o que importa é proporcionar momentos significativos e memoráveis aos clientes.

Em meio a essa transformação, outros restaurantes, como o El Argentino, também se destacam. Focados na culinária argentina, eles buscam oferecer uma experiência autêntica, equilibrando tradição e inovação. Ruth Capistano, sócia do El Argentino, comenta que o consumidor atual está mais informado e exigente, buscando qualidade e agilidade.

O mercado de alta gastronomia em Goiânia está se reconfigurando, com um público atento e disposto a pagar por experiências diferenciadas, refletindo um novo padrão de consumo e apetite por cultura e sofisticação.