14/02/2026
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Boletim revela 29,5 mil casos de HIV em Goiás e alerta sobre cuidados

Em Goiás, atualmente, cerca de 29.500 pessoas vivem com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids). No entanto, 5% dessas pessoas não estão em acompanhamento médico regular, enquanto 15% não iniciaram ou interromperam seu tratamento. Essas informações foram divulgadas no Boletim Epidemiológico da Infecção por HIV e Aids em Adultos, que abrange o período de 2015 a 2025, e foram coletadas pelo Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad, referência em atendimento à saúde.

O boletim foi apresentado em um evento na última segunda-feira (1º), em uma ação que faz parte do Dezembro Vermelho, uma iniciativa que visa conscientizar a população sobre a infecção por HIV e Aids. Durante esse mês, várias campanhas e atividades são organizadas em todo o país para abordar o tema.

Em comparação com o boletim de 2024, que registrou 7.896 casos de HIV entre pessoas com mais de 13 anos, os dados recentes indicam uma evolução significativa em termos de registro e acompanhamento dos casos.

### Regiões com Maior Incidência

Os dados mostram que as regiões com maior número de casos em Goiás são: Central, Centro Sul, Pirineus, Sudoeste I, Entorno Sul e Sul. Embora o Estado tenha mostrado progresso em diagnósticos e tratamentos, a Secretaria de Estado da Saúde (SESGO) alerta que é crucial continuar investindo em prevenção e cuidado contínuo para interromper a transmissão do vírus.

### Acesso ao Tratamento

Desde 2015, Goiás registrou 25.100 novos casos de HIV e Aids, sendo que o número de casos avançados de Aids e óbitos caiu significativamente nos últimos anos. Essa redução é considerada um reflexo do acesso gratuito ao teste e ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que transforma a infecção em uma condição tratável, permitindo uma melhor qualidade de vida para os pacientes.

### Transmissão em Grupos Específicos

Apesar das melhorias, a transmissão do HIV continua ativa, especialmente entre jovens e adultos. O boletim revela que 29.503 pessoas vivem com HIV em Goiás, e parte delas ainda não recebe acompanhamento médico. A subsecretária de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, destaca que o tratamento antirretroviral é fundamental, pois pessoas que atingem carga viral indetectável não transmitem o vírus por via sexual. Ela recomenda que todos busquem realizar testes sempre que houver risco, como em relações sexuais sem preservativo, já que o diagnóstico precoce é essencial para um tratamento eficaz.

### Estratégias de Prevenção disponíveis

O SUS disponibiliza diversas estratégias para prevenir a infecção por HIV, que incluem:

– Profilaxia pré-exposição (PrEP), medicamento diário para pessoas em risco;
– Profilaxia pós-exposição (PEP), que deve ser iniciada até 72 horas após a exposição ao HIV;
– Distribuição gratuita de preservativos em unidades de saúde;
– Testagem rápida e sigilosa, disponível de forma rotineira.

### Combate ao Preconceito

A SESGO também enfatiza a importância de combater o preconceito. O estigma associado ao HIV pode afastar muitas pessoas dos serviços de saúde, dificultando o diagnóstico precoce. A coordenadora da vigilância das infecções sexualmente transmissíveis, Luciene Siqueira Tavares, ressaltou que o HIV é uma condição de saúde como qualquer outra e que todos merecem acolhimento, informação e cuidado sem julgamentos.

A Secretaria continuará trabalhando para expandir ações educativas e a prevenção, orientando os municípios sobre como alcançar aqueles que mais precisam. “Avançamos, mas é vital que cada pessoa conheça as formas de prevenção, realize testes regularmente e inicie o tratamento o mais rápido possível. Informação e cuidado podem salvar vidas”, finalizou Luciene.